Família Avelino volta ao centro de operação contra milícia e crimes violentos no Sudeste
- Marcus Modesto
- há 17 horas
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Uma nova ofensiva do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro colocou novamente sob os holofotes a trajetória da família Avelino, marcada por décadas de episódios violentos. A ação foi conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado, que deflagrou uma operação nesta quarta-feira (1º) para cumprir mandados em quatro estados.
As investigações, conduzidas com apoio da Polícia Civil do Estado do Rio de Janeiro, apontam que o grupo é suspeito de estruturar uma organização criminosa com características de milícia privada, com atuação no Sul Fluminense e ramificações em outras regiões do país.
Violência que atravessa gerações
Segundo os investigadores, o histórico da família remonta a pelo menos seis décadas de conflitos, incluindo homicídios, disputas armadas e intimidação sistemática de adversários. Um acordo de paz firmado nos anos 1980 chegou a conter temporariamente a escalada de violência, mas novos episódios voltaram a colocar o grupo no radar das autoridades.
Entre os alvos recentes está Felipe Aguiar de Oliveira Filho, que teve a residência alvo de buscas durante a operação.
Crimes em diferentes estados
Um dos casos mais emblemáticos atribuídos a integrantes ligados à família ocorreu em 2020, em Novo Repartimento, onde dois jovens foram assassinados a tiros em um posto de combustíveis. O principal suspeito é João Pedro Bernardes Aguiar de Oliveira, apontado como integrante do grupo, embora não utilize o sobrenome Avelino.
Ele chegou a ser preso, mas foi solto com tornozeleira eletrônica. De acordo com as investigações, teria rompido o equipamento e retornado ao interior do Rio de Janeiro.
Outro episódio de grande repercussão ocorreu em 2022, em Paraíba do Sul, onde três pessoas foram assassinadas, incluindo um policial militar. A linha investigativa aponta possível motivação de vingança.
Assassinato e disputa pessoal
A apuração também envolve Fernando César Avelino, suspeito da morte do empresário Thiago Amorim Navarro, em Vassouras. O corpo foi encontrado carbonizado dentro de uma caminhonete, em uma estrada de terra.
Familiares da vítima afirmam que o crime pode ter sido motivado por uma dívida de R$ 4 mil, após o rompimento de uma amizade de anos. O caso é acompanhado pelo Ministério Público e corre sob sigilo judicial.
Operação mira estrutura criminosa
Ao todo, a operação cumpre mandados em endereços no Rio de Janeiro, Minas Gerais, Espírito Santo e Pará. Segundo o Gaeco, há indícios de que o grupo tenha organizado uma estrutura com controle territorial, prática de homicídios, tentativas de assassinato, corrupção e intimidação de testemunhas.
Durante as diligências, foram apreendidas armas e munições. Os investigadores destacam que a centralização das apurações foi necessária diante da gravidade dos fatos e da continuidade das ações criminosas atribuídas ao grupo.
A ofensiva marca mais um capítulo na tentativa das autoridades de desarticular uma rede que, há décadas, alimenta um histórico de violência no interior fluminense e além dele.




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