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Feirão de carros ou privatização da cidade? O fechamento da Avenida Roosevelt Brasil merece explicações

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
11 de jul.
2 min de leitura

A realização de um feirão de carros e motos na Avenida Roosevelt Brasil, uma das principais vias de Barra Mansa, levanta uma série de questionamentos que a população tem o direito de fazer. Afinal, quem realmente está sendo beneficiado com a utilização de um espaço público estratégico para uma atividade comercial privada?


Durante três dias, motoristas, comerciantes e moradores precisam conviver com alterações no trânsito para que revendas e lojas exponham seus produtos em plena via pública. A pergunta é simples: qual o interesse coletivo que justifica a ocupação de uma das mais importantes avenidas da cidade para um evento de venda de veículos?


Barra Mansa enfrenta desafios muito mais urgentes. Problemas de mobilidade urbana, infraestrutura, saúde, segurança e saneamento continuam presentes no cotidiano da população. Enquanto isso, a administração do prefeito Luiz Furlani destina estrutura pública e promove um evento que beneficia diretamente um segmento específico do mercado.


Não se trata de ser contra o comércio ou contra o setor automotivo. A geração de empregos e o fortalecimento da economia são importantes. O problema é a escolha do local e o uso de uma avenida pública para uma finalidade essencialmente comercial. Existem espaços privados, centros de eventos e áreas adequadas para esse tipo de iniciativa sem causar impactos à circulação urbana.


A população também merece transparência. Houve custos para o município? Qual foi a contrapartida oferecida pelos organizadores? Quais critérios foram utilizados para autorizar o fechamento da via? Quantas empresas foram beneficiadas? Essas informações deveriam ser amplamente divulgadas.


O debate não é sobre carros ou motos. É sobre prioridades administrativas. Quando o poder público transforma uma das principais avenidas da cidade em vitrine para negócios privados, é natural que surjam dúvidas sobre os limites entre o interesse público e os interesses comerciais.


A sociedade tem o direito de cobrar respostas. E cabe aos órgãos de fiscalização acompanhar a legalidade, a transparência e a conveniência de decisões que envolvem o uso do patrimônio público. Em uma cidade marcada por tantas demandas não resolvidas, o fechamento de uma avenida estratégica para um feirão de vendas dificilmente passa a mensagem de que os problemas mais importantes estão recebendo a atenção que merecem.

Foto Gabriel Borges


 
 
 

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