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Fernando Jordão revive promessa da ferrovia, mas a região já ouviu esse discurso muitas vezes

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
1 de ago.
2 min de leitura

A defesa feita por Fernando Jordão da reativação da ferrovia entre Barra Mansa e Angra dos Reis recoloca em pauta um projeto que há décadas aparece como símbolo de desenvolvimento para o Sul Fluminense e a Costa Verde. O problema é que, para a população, essa história já virou um velho conhecido das campanhas eleitorais.


Em praticamente toda eleição surge um político disposto a anunciar que chegou a hora de tirar a ferrovia do papel. Mudam os partidos, mudam os candidatos, mudam os discursos. O que não muda é a ausência de obras.


Agora é Fernando Jordão quem volta a levantar a bandeira da ferrovia, argumentando que o ramal pode fortalecer o Porto de Angra, impulsionar o turismo e facilitar o transporte de cargas. São argumentos que fazem sentido do ponto de vista econômico. O que falta, porém, é responder à pergunta que o eleitor já faz há muitos anos: por que dessa vez seria diferente?


A região coleciona promessas ferroviárias. Barra Mansa também assistiu à divulgação do chamado “trem mineiro”, defendido em diferentes momentos por lideranças políticas, entre elas a ex-deputada estadual Inês Pandeló. O projeto ganhou manchetes, discursos e expectativa popular, mas nunca saiu do papel.


Esse roteiro se repete há décadas. Sempre há estudos, reuniões, anúncios de investimentos, projeções otimistas e discursos sobre desenvolvimento regional. Depois da eleição, o assunto desaparece até o próximo período eleitoral.


É evidente que a ferrovia pode representar um importante avanço logístico para a região. Ninguém discute o potencial econômico de uma ligação ferroviária entre Barra Mansa e Angra dos Reis. O que desperta desconfiança é a repetição da promessa sem que a população veja licitações concluídas, contratos assinados, cronogramas definidos e máquinas trabalhando.


Fernando Jordão tem todo o direito de defender a reativação do ramal. Mas, diante do histórico de promessas não cumpridas, apenas repetir um discurso que a população escuta há tantos anos dificilmente será suficiente para convencer quem já viu esse filme inúmeras vezes.


O Sul Fluminense não precisa de mais uma campanha movida por promessas ferroviárias. Precisa de compromisso, planejamento, recursos garantidos e obras efetivamente iniciadas. Enquanto isso não acontecer, a ferrovia continuará sendo um trem que circula apenas nos discursos de época eleitoral.

Foto Reprodução


 
 
 

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