Fila do INSS cresce apesar de promessa de Lula e ultrapassa 2,8 milhões de pedidos
- Marcus Modesto
- 29 de dez. de 2025
- 3 min de leitura
A promessa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de acabar com a fila do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) ainda está longe de se concretizar. Dados oficiais do próprio instituto, analisados em levantamento do portal UOL, mostram que o número de pessoas aguardando análise de benefícios mais do que dobrou desde o início do atual governo.
Em janeiro de 2023, quando Lula assumiu a Presidência, cerca de 1,2 milhão de requerimentos estavam pendentes. Em outubro deste ano, esse total saltou para aproximadamente 2,86 milhões de pedidos em espera, envolvendo benefícios como aposentadorias, pensões, Benefício de Prestação Continuada (BPC), salário-maternidade e perícias para auxílio-doença.
INSS aponta mudanças na lei e fatores estruturais
Questionado sobre o aumento da fila, o INSS afirmou que alterações recentes na legislação ampliaram o acesso a benefícios sociais, o que elevou a demanda. O instituto também citou o envelhecimento da população e a adoção de novos critérios para o cálculo da renda familiar no BPC como fatores que impactaram o volume de pedidos.
Segundo o órgão, trata-se de um problema complexo, que não depende apenas da atuação do INSS, já que muitos processos exigem participação de outros órgãos públicos. Como resposta, o instituto afirma ter adotado medidas como mutirões de atendimento e a criação de um comitê específico para enfrentar o acúmulo de requerimentos.
BPC pressiona a fila, enquanto aposentadorias avançam
Os números revelam comportamentos distintos entre os tipos de benefício. A fila do BPC apresentou crescimento expressivo durante o governo Lula. Em junho de 2023, havia cerca de 511 mil pedidos aguardando análise. Em setembro deste ano, o número chegou a 898 mil.
Em sentido oposto, os pedidos de aposentadoria tiveram redução no estoque. No mesmo intervalo, a quantidade de requerimentos pendentes caiu de 357 mil para 283 mil, indicando maior rapidez nesse tipo de concessão.
Prazo médio cai, mas demora persiste em serviços específicos
Apesar do aumento no total de pedidos acumulados, o tempo médio geral de atendimento no INSS apresentou queda. No fim do governo Michel Temer, a espera média era de 57 dias. Ao final da gestão Jair Bolsonaro, o prazo subiu para 79 dias. No governo Lula, a média caiu para cerca de 35 dias.
No entanto, essa melhora não se reflete de forma uniforme. No caso do BPC, por exemplo, o tempo de concessão aumentou significativamente. Em janeiro de 2024, a espera média era de 62 dias. Atualmente, o prazo chega a 193 dias, superando os picos registrados nas administrações anteriores.
O INSS atribui essa demora à mudança no cálculo da renda familiar, limitada a um quarto do salário mínimo por pessoa. Segundo o instituto, a adaptação dos sistemas de tecnologia levou à suspensão temporária de milhares de processos, o que provocou acúmulo de pedidos.
Já nas aposentadorias, a redução da fila ocorre porque esses benefícios não dependem de perícia médica. Quando a documentação está correta, a concessão é automática, o que garante maior agilidade. O Ministério da Previdência não se manifestou sobre a demora nas perícias.
Compromisso reiterado e cobranças públicas
Durante a campanha de 2022, Lula afirmou que acabaria com a fila do INSS, citando a modernização dos sistemas e a experiência de governos anteriores. A promessa foi reafirmada no discurso de posse, em janeiro de 2023, quando classificou a fila como uma “injustiça”.
Meses depois, já diante do crescimento do problema, o presidente voltou ao tema em entrevista, cobrando explicações e soluções. Na ocasião, afirmou que, se a demora fosse causada por falta de pessoal ou de eficiência, seria necessário contratar servidores ou substituir gestores.
Passados quase dois anos de governo, os números indicam que o desafio permanece, mantendo a fila do INSS como um dos principais pontos de pressão sobre a política previdenciária federal.




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