Filme sobre Bolsonaro entra na mira da Polícia Federal
- Marcus Modesto
- há 52 minutos
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A produção de Dark Horse, filme que retrata a ascensão política de Jair Bolsonaro e a campanha presidencial de 2018, passou a ser alvo de uma apuração mais detalhada da Polícia Federal. A investigação agora busca reconstruir a estrutura por trás do longa, desde os responsáveis pela produção até o caminho percorrido pelos recursos utilizados para viabilizá-lo.
Para avançar nessa frente, a PF determinou que a Agência Nacional do Cinema (Ancine) entregue informações sobre a situação do filme no órgão. A agência terá dez dias para responder aos questionamentos encaminhados pelos investigadores.
A medida faz parte de um inquérito em andamento no Supremo Tribunal Federal (STF), relatado pelo ministro André Mendonça. A apuração ganhou força depois que vieram a público informações sobre o envolvimento financeiro do empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com pessoas ligadas ao projeto.
Um dos pontos que despertaram maior interesse dos investigadores é a movimentação de R$ 61 milhões que Flávio Bolsonaro reconheceu ter obtido junto a Vorcaro. A PF pretende descobrir com precisão qual foi a destinação dos valores e se todo o dinheiro relacionado ao projeto cinematográfico foi empregado exclusivamente na produção.
Também está sendo analisada a possibilidade de recursos terem sido utilizados para despesas ligadas a Eduardo Bolsonaro durante sua permanência nos Estados Unidos. A investigação deverá confrontar contratos, transferências e demais documentos para determinar a finalidade de cada operação financeira.
A Ancine também deverá informar quais empresas estão oficialmente associadas ao filme e quem aparece como responsável pela produção, coprodução, distribuição e representação jurídica. Os investigadores querem ainda saber se houve utilização de dinheiro público, incentivos fiscais ou mecanismos oficiais de financiamento do audiovisual.
A produção já enfrentava problemas regulatórios antes da nova solicitação da PF. Em julho, a Ancine abriu procedimento contra a Go Up Entertainment por causa das filmagens realizadas no Brasil sem a comunicação exigida pela legislação para obras estrangeiras.
A empresa, ligada à jornalista Karina Ferreira da Gama, afirmou que pretende colaborar com as autoridades. O advogado Ricardo Sayeg também informou que o longa está passando por uma etapa de organização comercial, enquanto a Europa Filmes prepara sua distribuição no mercado brasileiro.
A investigação alcança ainda o Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina. A entidade recebeu R$ 2 milhões em emendas parlamentares destinadas à produção de filmes, circunstância que também despertou a atenção das autoridades.
Mesmo cercado pela controvérsia, o lançamento de Dark Horse segue sendo preparado. A Europa Filmes pretende levar a produção a centenas de cinemas brasileiros depois das eleições, com previsão de estreia a partir de novembro.
O filme apresenta uma narrativa de suspense político ambientada no período eleitoral de 2018 e dá destaque ao atentado contra Bolsonaro em Juiz de Fora. O personagem do ex-presidente é interpretado pelo ator americano Jim Caviezel.
A estratégia de lançamento, portanto, seguirá paralelamente à investigação. Enquanto a distribuidora trabalha para transformar o filme em uma produção de grande alcance comercial, a Polícia Federal tenta responder a questões que vão muito além do conteúdo da obra: quem estruturou o projeto, como ele foi financiado, por onde passaram os recursos e qual foi efetivamente a finalidade do dinheiro.
As respostas da Ancine podem se tornar uma peça importante para esclarecer essas questões e definir os próximos passos da investigação no Supremo.
Foto Reprodução




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