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Flagrantes de drogas perto de escola em Volta Redonda expõem limites da segurança pública local

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 28 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

Volta Redonda voltou a registrar, nesta semana, dois casos de flagrante envolvendo adolescentes e drogas em plena luz do dia — um deles, em frente a uma escola no bairro Retiro. A atuação da Patrulha Escolar e do Sistema Integrado de Segurança resultou em apreensões e conduções à delegacia, mas também revelou um problema mais profundo e preocupante: a rotina do consumo de entorpecentes por menores em áreas públicas, inclusive em espaços frequentados por crianças e adolescentes.


Segundo a Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), a denúncia que levou à ação desta sexta-feira (27) foi feita por um canal de WhatsApp e indicava que o grupo se reunia todos os dias, no mesmo horário, para consumir drogas perto de uma unidade escolar. A constância da prática, somada à previsibilidade dos horários, expõe falhas graves na prevenção. Não se trata de um caso isolado, mas de uma rotina conhecida da comunidade — o que levanta a pergunta: por que foi preciso esperar uma denúncia popular para que algo fosse feito?


No segundo caso, ocorrido no bairro Roma, um adolescente foi abordado com cocaína e maconha durante patrulhamento de rotina. Novamente, houve apreensão e encaminhamento à 93ª DP, mas o menor foi liberado logo depois, como prevê a legislação.


O secretário de Ordem Pública, coronel Henrique, exaltou a atuação dos agentes e reforçou o papel da população nas denúncias. Embora o discurso destaque os méritos de um “sistema de segurança de proximidade”, a reincidência e a superficialidade das ações policiais — que terminam invariavelmente com liberações — revelam um modelo reativo, que não enfrenta as causas estruturais da criminalidade juvenil.


A sociedade participa e denuncia, mas o que tem sido feito de fato para interromper esse ciclo? O poder público investe em repressão pontual, mas onde estão os projetos de prevenção, educação e assistência social capazes de afastar esses jovens das drogas? Onde estão as políticas públicas que garantam ocupação saudável do tempo, oportunidades e proteção real para crianças e adolescentes?


Enquanto a resposta do Estado se limitar a rondas esporádicas e prisões que terminam em liberados no mesmo dia, a sensação de que tudo se repete continuará presente — por mais que discursos oficiais tentem convencer o contrário. Segurança pública não se mede pela quantidade de flagrantes, mas pela capacidade de evitar que eles se tornem rotina. E isso Volta Redonda, claramente, ainda não conseguiu fazer.


Foto Semop/VR


 
 
 

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