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Flip 2025: Paraty retoma fôlego literário com festa que celebra Paulo Leminski e vozes latino-americanas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 29 de jul. de 2025
  • 3 min de leitura

A cidade histórica de Paraty (RJ) volta a pulsar no compasso das palavras nesta quarta-feira (30), quando tem início a 23ª edição da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip). Em meio às ruas de pedra e casarões coloniais, o festival retorna à sua tradicional janela entre julho e agosto — agora com programação intensa até o domingo (3), marcada por encontros literários, discussões sobre o presente e uma homenagem vibrante a Paulo Leminski, poeta curitibano que nunca foi de seguir rótulos.


Com 36 autores do Brasil e do exterior, a Flip deste ano reúne nomes de peso e apostas emergentes em 21 mesas de debate no Auditório da Matriz, com transmissão ao vivo pela internet. O homenageado, Paulo Leminski, morto em 1989, é celebrado por sua obra irreverente, que misturou poesia, haicais, filosofia, cultura pop e música com um estilo próprio — ora lírico, ora debochado, mas sempre potente.


Paraty em festa na baixa temporada


A volta da Flip ao período do inverno agrada comerciantes e moradores. É nessa época do ano, quando o turismo costuma dar uma trégua, que o evento injeta vida e movimento nas pousadas, restaurantes e espaços culturais da cidade. Após edições marcadas por incertezas e adaptações forçadas pela pandemia, o retorno ao calendário original representa, também, um respiro para a organização do festival.


A abertura da festa acontece às 21h desta quarta, com a mesa “Essa noite vai ter sol”. O músico Arnaldo Antunes conduz um mergulho poético na obra de Leminski, e a noite termina com um cortejo artístico até o Palco do Areal, onde o público é convidado a participar de uma ciranda popular com artistas da região.


Literatura que olha para o agora


Em meio a lançamentos e celebrações da literatura, a Flip também reserva espaço para temas que atravessam o tempo presente. A sexta-feira (1º) concentra as discussões mais urgentes: o racismo estrutural, o conflito no Oriente Médio e a crise ambiental são os assuntos das mesas que contam com nomes como a historiadora Ynaê Lopes dos Santos, o jornalista Tiago Rogero, o historiador israelense Ilan Pappe e a ministra do Meio Ambiente Marina Silva.


Essas conversas refletem o espírito da curadoria de Ana Lima Cecilio, que busca manter o festival como um território aberto para pensar o mundo — a partir das palavras, mas sem se fechar nelas.


Sem anglófonos, com sotaque latino e francês


Uma das mudanças mais comentadas desta edição é a ausência de escritores de língua inglesa. Em seu lugar, a Flip amplia seu foco na América Latina. Ganha destaque a participação de cinco autoras latino-americanas que têm enfrentado temas como feminicídio, memória e resistência em suas obras: as mexicanas Cristina Rivera Garza e Dahlia de la Cerda, a chilena Alia Trabucco Zerán e as argentinas Dolores Reyes e María Negroni. Rivera Garza, por exemplo, escreveu “O invencível verão de Liliana” para narrar o assassinato da própria irmã.


A programação também contempla a literatura francófona, dentro da Temporada França-Brasil, que se estende até dezembro. Estão em Paraty a escritora franco-mexicana Neige Sinno, o franco-ruandês Gaël Faye e o marfinense GauZ’, autores que abordam, em suas narrativas, temas como abuso sexual, identidade e pós-colonialismo.


Poetas em cena e novos espaços


O tributo a Leminski vai além da mesa de abertura. Um novo espaço batizado de Caprichos & Relaxos — nome de uma de suas obras — será totalmente dedicado à poesia. Quinze poetas brasileiros se revezam em leituras de até 20 minutos, promovendo encontros diretos com o público. Já o Palco da Praia, às margens do Rio Perequê-Açu, receberá atrações culturais de Paraty e de outras cidades da Costa Verde, dando voz a manifestações populares da região.


Como sempre, a cidade inteira entra no clima do festival. Ao todo, 35 casas parceiras promovem eventos paralelos — lançamentos, debates, performances e encontros —, em um circuito que faz de Paraty muito mais do que um cenário: uma protagonista do evento.


A Flip é agora


A curadora Ana Lima Cecilio define a Flip como “um espaço para refletir o mundo, a literatura e seus atravessamentos”. Em 2025, esse espaço ganha novos contornos, reforçando o papel da festa como uma experiência viva, em que os livros são ponto de partida para conversas urgentes, afetivas e transformadoras.


FLIP 2025 — Festa Literária Internacional de Paraty

Local: Paraty (RJ)

Data: 30 de julho a 3 de agosto

Homenageado: Paulo Leminski

Transmissão ao vivo: www.flip.org.br • Canal Arte1 • YouTube da Flip



 
 
 

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