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Flumisul precisa provar que o investimento público se transforma em desenvolvimento para Barra Mansa

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
10 de ago.
2 min de leitura

A Flumisul chega aos 25 anos cercada de discursos sobre negócios, inovação, tecnologia e desenvolvimento econômico. A feira, sem dúvida, pode gerar movimento, aproximar empresas e criar oportunidades. Mas, depois de um quarto de século, uma pergunta precisa ser feita com seriedade: qual foi, de fato, o custo-benefício da Flumisul para a economia de Barra Mansa?


Não basta contar o número de visitantes, empresas expositoras ou palestras realizadas. Também não é suficiente afirmar que a cidade recebeu empresários e investidores. O verdadeiro resultado de uma feira desse porte precisa ser medido pelo que fica depois que os estandes são desmontados.


Quanto foi investido, direta e indiretamente, em cada edição? Quanto desse dinheiro retornou aos cofres públicos? Quantas empresas foram abertas ou ampliadas em consequência da feira? Quantos empregos permanentes foram criados? Quantos contratos comerciais nasceram das conexões realizadas no evento? Quanto foi movimentado pelos hotéis, restaurantes, comércio e prestadores de serviços? E, principalmente, quantos desses resultados podem ser comprovadamente atribuídos à Flumisul?


Essas são perguntas básicas para qualquer política pública que envolva recursos públicos.


Uma feira empresarial pode gerar impacto econômico importante, mas existe uma diferença enorme entre movimentar dinheiro durante quatro dias e produzir desenvolvimento econômico duradouro. Um restaurante lotado durante o evento é positivo. Um hotel com maior ocupação também. Uma empresa fechando um contrato é excelente. Mas isso precisa ser transformado em indicadores para que a sociedade consiga avaliar se o investimento realizado realmente compensou.


O problema é que, ao longo dos anos, a Flumisul acabou sendo apresentada muitas vezes como sinônimo automático de desenvolvimento. E não deveria ser assim.


Uma cidade não se desenvolve economicamente apenas com eventos. Desenvolvimento exige ambiente favorável para quem produz, segurança jurídica, infraestrutura, mão de obra qualificada, desburocratização, acesso a crédito, atração de investimentos e, principalmente, capacidade de transformar oportunidades pontuais em negócios permanentes.


A Flumisul pode ser uma ferramenta dentro dessa estratégia. Mas não pode ser confundida com a própria estratégia de desenvolvimento econômico.


A edição de 25 anos, portanto, poderia representar também um momento de prestação de contas. Seria importante apresentar à população um balanço das duas décadas e meia de realização da feira: quanto foi investido e qual foi o retorno econômico efetivamente comprovado?


Se os resultados forem expressivos, que sejam apresentados. Se empresas cresceram, empregos foram criados e investimentos chegaram por meio das conexões proporcionadas pela feira, que esses números sejam divulgados. Se houve retorno para o comércio e para a cadeia de serviços, que seja mensurado.


Transparência, nesse caso, não diminui a importância da Flumisul. Pelo contrário. Dá credibilidade ao evento.


Barra Mansa precisa de uma política de desenvolvimento econômico que vá além de quatro dias de exposição. Precisa transformar networking em contratos, contratos em investimentos, investimentos em empregos e empregos em renda para a população.


A Flumisul pode continuar sendo uma vitrine importante do Sul Fluminense. Mas, aos 25 anos, já passou da hora de deixar de ser avaliada apenas pelo tamanho da feira e começar a ser avaliada também pelo tamanho do resultado que deixa para a cidade.


Porque o sucesso de uma feira não deveria ser medido apenas pelo público que entra no Parque da Cidade, mas pelo desenvolvimento que permanece em Barra Mansa quando os portões se fecham.

Foto Divulgação


 
 
 

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