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Flávio Bolsonaro é investigado por suspeitas sobre dinheiro enviado ao Havengate para filme “Dark Horse”

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 8 horas
3 min de leitura

A investigação sobre as movimentações financeiras relacionadas ao filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, passou a levantar novos questionamentos sobre a estrutura usada para receber os recursos no exterior. Documentos da Polícia Federal (PF) e da Procuradoria-Geral da República (PGR) apontam que o fundo Havengate, nos Estados Unidos, ficou praticamente sem atividade por anos antes de começar a receber milhões de dólares destinados à produção.


As informações foram divulgadas pela colunista Malu Gaspar, de O Globo, com base em documentos do caso Master que tiveram o sigilo levantado.


Criado em 2020, o Havengate teria sido estruturado originalmente para participar de um empreendimento imobiliário que não saiu do papel. Segundo a PF, embora tenha permanecido formalmente ativo, o fundo ficou sem movimentação operacional relevante durante quase quatro anos.


A mudança ocorreu em fevereiro de 2025. No dia 13 daquele mês, o Havengate recebeu US$ 2 milhões enviados pela Entre Investimentos, valor apresentado como parte do financiamento do longa-metragem. A partir daí, outras remessas foram realizadas para a estrutura.


Para os investigadores, a utilização de um fundo criado para outra finalidade e que permaneceu inativo durante anos para receber recursos internacionais destinados a uma produção cinematográfica precisa ser esclarecida.


Declarações de Flávio entram no foco da apuração


A situação também colocou sob análise as explicações apresentadas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) sobre a escolha do Havengate.


Em entrevista à GloboNews, em maio, Flávio afirmou que se tratava de um fundo exclusivo criado para viabilizar “Dark Horse”. O senador também disse que a estrutura seria submetida à fiscalização da Securities and Exchange Commission (SEC), órgão regulador do mercado financeiro norte-americano.


Segundo a apuração baseada nos documentos analisados, porém, não foram localizados registros do Havengate no acervo público da SEC que confirmassem a existência de outros investidores além de Daniel Vorcaro.


Flávio afirmou ainda que a escolha do fundo administrado pelo advogado Paulo Calixto ocorreu por ele ser uma pessoa de confiança de Eduardo Bolsonaro. O senador negou, entretanto, que os recursos pudessem ser utilizados para beneficiar o irmão, que estava vivendo nos Estados Unidos.


Investigação apura possível relação com Eduardo Bolsonaro


A atuação de Eduardo Bolsonaro também aparece entre os pontos investigados. O ex-deputado se mudou para os Estados Unidos em fevereiro de 2025 e, segundo sua própria justificativa, passou a viver no país em razão do que considera perseguição política no Brasil.


Uma manifestação da PGR incorporada aos autos cita mensagens trocadas entre Eduardo e o publicitário Thiago Miranda, apontado como intermediário no contato com Daniel Vorcaro.


Nas mensagens, segundo a PGR, Eduardo teria discutido a necessidade de manter os recursos nos Estados Unidos, evitando determinadas transferências internacionais que poderiam chamar atenção em razão dos valores envolvidos.


A investigação tenta estabelecer se essas orientações tiveram alguma relação com a administração do dinheiro enviado ao Havengate e se os recursos foram efetivamente utilizados apenas para a produção do filme.


Transferências chegaram a US$ 12,3 milhões


Outro elemento incorporado ao caso surgiu a partir do acordo de colaboração de Antonio Carlos Freixo Júnior, conhecido como “Mineiro”.


Segundo o relato apresentado à PGR, ele teria realizado sete transferências para o Havengate a pedido de Daniel Vorcaro. As operações ocorreram entre fevereiro e setembro de 2025 e somaram US$ 12,3 milhões, aproximadamente R$ 69 milhões considerando a cotação do período.


A última transferência teria sido de US$ 1,66 milhão, cerca de R$ 9 milhões na época.


Mineiro também relatou ter realizado entregas de dinheiro em espécie a pessoas indicadas por Vorcaro, incluindo valores transportados em malas. De acordo com seu depoimento, contudo, ele não sabia qual seria a finalidade dessas quantias.


Destino dos milhões ainda é alvo de investigação


O ponto central da apuração agora é identificar o caminho percorrido pelos recursos e verificar se todo o dinheiro enviado ao Havengate foi utilizado exclusivamente na realização de “Dark Horse”.


A investigação também busca esclarecer se houve alguma conexão entre as movimentações financeiras e despesas relacionadas à permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos.


Na terça-feira (8), a defesa de Mineiro participou de uma audiência com um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal (STF). O encontro, de cerca de 20 minutos, teve entre seus objetivos verificar a voluntariedade e a regularidade do acordo de colaboração antes de uma possível homologação.


Até o momento, os documentos analisados pela PF e pela PGR não significam, por si só, uma conclusão definitiva sobre a destinação irregular dos recursos. A apuração segue justamente para determinar a origem, o percurso e a finalidade dos milhões movimentados pelo Havengate.




 
 
 

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