Fuga, condenação e bloqueio: o colapso político e moral de Carla Zambelli
- Marcus Modesto
- 12 de jun. de 2025
- 2 min de leitura
A confirmação do bloqueio de salários e verbas da deputada federal licenciada Carla Zambelli (PL-SP), anunciada nesta quinta-feira (12) pela Câmara dos Deputados, marca mais um capítulo vergonhoso na trajetória de uma parlamentar que já foi símbolo do bolsonarismo combativo e hoje se encontra foragida, condenada e desmoralizada.
Zambelli foi sentenciada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a 10 anos e 8 meses de prisão por envolvimento direto na invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) — um crime grave, cometido por uma autoridade eleita para zelar pela Constituição. Em vez de encarar a Justiça, preferiu fugir do país pela fronteira com a Argentina, adotando o caminho da covardia que tanto criticava nos adversários políticos.
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, que determinou o bloqueio dos vencimentos parlamentares, de bens, contas, veículos e até passaportes da deputada, é mais do que um gesto judicial. É um recado claro: o uso de mandato como escudo para práticas criminosas não será mais tolerado.
Zambelli agora é procurada pela Interpol, localizada na Itália, alvo de pedido formal de extradição, e personagem central de um escândalo que ultrapassa os limites do razoável até para os padrões cada vez mais rebaixados da política brasileira. Sua tentativa de justificar a fuga com alegações vagas sobre tratamentos médicos, sem sequer especificar o destino ou os laudos, reforça a sensação de deboche com as instituições e com o eleitorado que a elegeu.
Trata-se de uma parlamentar que fez carreira atacando o Judiciário e a imprensa, e que agora foge da Justiça como qualquer criminoso comum. O que se vê é a decomposição completa do discurso anticorrupção usado como palanque eleitoral. Zambelli, que se dizia vítima de um sistema corrupto, hoje é parte dele — condenada, escondida, desonrada.
A tentativa de vitimização e a narrativa de perseguição política não resistem aos fatos e à robustez das provas que levaram à condenação unânime no STF. Não há arbitrariedade em impedir que uma deputada condenada e foragida continue recebendo salários e verbas públicas. O que seria realmente escandaloso é o contrário.
O caso Zambelli escancara, mais uma vez, a urgência de repensar os critérios de elegibilidade e a blindagem indevida de mandatos que deveriam representar o povo, não o crime. Enquanto isso, cabe às autoridades brasileiras garantir sua extradição e o cumprimento da pena. Justiça não pode ser seletiva — nem pode ser adiada indefinidamente por quem acha que o poder é passaporte para a impunidade.




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