Furlani deixa dívida de R$ 154 milhões para o PREVIBAM enquanto a Câmara Municipal atua como fiadora do rombo previdenciário
- Marcus Modesto
- 27 de mai.
- 3 min de leitura
A gestão do prefeito Luiz Furlani acaba de entrar para a história política de Barra Mansa por um dos atos mais alarmantes envolvendo o dinheiro da previdência municipal. A Prefeitura oficializou uma dívida de impressionantes R$ 154.217.220,48 com o Fundo de Previdência de Barra Mansa — o PREVIBAM — e decidiu parcelar o débito em até 300 meses, ou seja, 25 anos. A contratação foi formalizada em 30 de dezembro de 2025, com juros de 1% ao mês, criando uma bomba financeira que atravessará décadas e cairá no colo de futuras administrações e dos próprios servidores públicos.
O mais grave é que o prefeito não fez isso sozinho. A Câmara Municipal aprovou a operação e se tornou cúmplice direta de um dos maiores escândalos financeiros recentes envolvendo a previdência dos servidores municipais. Em vez de agir como órgão fiscalizador, o Legislativo preferiu assumir o papel de cartório político do Executivo, aprovando um projeto que institucionaliza o calote parcelado.
Na prática, Furlani está admitindo oficialmente que a Prefeitura não conseguiu honrar suas obrigações previdenciárias. E a solução encontrada não foi reorganizar as contas públicas, cortar desperdícios ou rever prioridades administrativas. A saída foi empurrar a dívida para os próximos 25 anos, comprometendo receitas futuras e colocando em risco a estabilidade do sistema previdenciário municipal.
A comparação que já circula nos bastidores políticos é inevitável: Furlani virou o aprendiz de Vorkaro. Aprendeu rapidamente as velhas fórmulas da política regional — esconder o problema no presente e transferir a conta para o futuro. Só que o aprendiz parece determinado a superar o mestre. Agora não se fala em pequenos ajustes fiscais. O município assumiu uma dívida superior a R$ 154 milhões com juros mensais de 1%, numa operação que pode multiplicar ainda mais esse valor ao longo dos anos.
Enquanto isso, o servidor público segue tendo o desconto previdenciário retirado do salário religiosamente todos os meses. O trabalhador não pode atrasar suas contas, não pode renegociar eternamente suas obrigações e muito menos parcelar sua vida em 25 anos. Mas a Prefeitura pode. E pior: com autorização política da Câmara Municipal.
A Lei nº 6.127/2025 ainda permite reparcelamentos sucessivos, ou seja, parcelar dívidas que já haviam sido renegociadas anteriormente. É a institucionalização da irresponsabilidade fiscal. Uma prefeitura que deveria garantir segurança previdenciária transforma o PREVIBAM em mecanismo de sobrevivência financeira da própria administração.
O discurso de “regularização” não resiste a uma análise séria. Nenhum governo responsável entrega uma dívida de R$ 154 milhões parcelada em 25 anos como se isso fosse solução. Isso não é gestão. É empurrar a crise com a barriga enquanto a cidade acumula passivos e perde capacidade de investimento.
E onde estavam os vereadores durante essa votação? Silenciosos. Muitos dos que discursam diariamente sobre responsabilidade pública preferiram baixar a cabeça diante do Executivo. Nenhuma grande mobilização, nenhum enfrentamento real, nenhuma defesa contundente dos servidores. A Câmara, mais uma vez, escolheu a conveniência política em vez da independência.
O resultado é devastador: uma previdência fragilizada, servidores inseguros, futuras administrações amarradas a uma dívida gigantesca e uma cidade que assiste, impotente, ao crescimento de um modelo político baseado em parcelamentos, improvisos e maquiagem financeira.
Barra Mansa agora convive com uma verdade difícil de esconder: Furlani não resolveu o problema da previdência. Apenas assinou um contrato para transferir o desastre para as próximas décadas.




Vamos Falar Fundamp e SAnta CAsa de Barra MAnsa, precisa urgente de auditorias sendo ate caso de policia, alias Delegado Michel saiu porque de BArra Mansa, incompetência?
A manchete que tenta transformar uma medida padrão de engenharia fiscal em um "escândalo de fim de mandato" é o retrato perfeito de duas coisas: uma má-fé política gigantesca ou uma incapacidade assustadora de ler e interpretar o texto da própria legislação. Falar em "rombo deixado" e colocar a Câmara Municipal no papel de "fiadora" é uma aberração técnica que faria qualquer estudante do primeiro período de Direito ou Economia passar vergonha.
Vamos colocar os pingos nos is e explicar, de forma muito direta, como funciona a Lei Municipal nº 6.127/2025, para ver se o autor da matéria consegue compreender o básico sobre gestão pública. No Direito Administrativo brasileiro, o Poder Legislativo não emite fiança, não dá aval financeiro e nem…