Furlani e os R$ 20 milhões: silêncio marca crise da oncologia em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- há 5 dias
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Barra Mansa vive uma das maiores crises recentes na área da saúde pública — e ela tem números expressivos: mais de R$ 6 milhões em dívida oficialmente reconhecida pelo Governo do Estado, podendo chegar, segundo estimativas de bastidores, a quase R$ 20 milhões em passivo acumulado.
No centro dessa crise está a falta de repasses estaduais para a unidade de oncologia da Santa Casa (Oncobarra), responsável pelo atendimento de pacientes de toda a região.
E, no campo político, cresce o questionamento sobre a postura do prefeito Luiz Furlani diante do problema.
Dívida confirmada e passivo crescente
A dívida oficial já ultrapassa R$ 6 milhões, referente principalmente a repasses do chamado “extrateto” — verba estadual destinada a cobrir atendimentos oncológicos acima do limite contratado.
Esses recursos não foram pagos ao longo de 2025, comprometendo diretamente o funcionamento da unidade.
Além disso, há um fator que agrava a situação:
• a produção excedente da oncologia gira em torno de R$ 500 mil por mês
• esse valor não vem sendo compensado regularmente
Com o acúmulo ao longo dos meses e anos, técnicos e interlocutores da área estimam que o passivo total pode se aproximar de R$ 20 milhões, embora esse valor não seja oficialmente reconhecido pelo Estado.
Um serviço regional sob pressão
A Oncobarra não atende apenas Barra Mansa. A unidade é referência para cerca de 28 municípios do Sul Fluminense, funcionando com recursos do SUS e complementação estadual.
O financiamento atual gira em torno de R$ 1,5 milhão por mês, somando verbas federais e estaduais.
O problema é que a demanda supera esse teto — e a diferença deixou de ser paga com regularidade.
O resultado é um cenário de pressão crescente:
• risco de restrição de atendimentos
• dificuldade de manutenção da estrutura
• insegurança para pacientes em tratamento
Cobrança política e silêncio institucional
A falta de repasses chegou a ser cobrada formalmente na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, com alerta de risco à continuidade dos serviços oncológicos.
Apesar disso, no âmbito municipal, a atuação do prefeito Luiz Furlani tem sido considerada discreta diante da gravidade da situação.
O ponto central da crítica é a ausência de uma cobrança pública mais incisiva ao governo estadual, comandado por Cláudio Castro.
Quando os números viram impacto real
A diferença entre os valores não é apenas contábil:
• R$ 6 milhões representam a dívida reconhecida
• até R$ 20 milhões indicam o possível passivo acumulado
Na prática, isso se traduz em pressão direta sobre o sistema de saúde.
Atrasos em oncologia não são apenas administrativos — afetam tratamentos contínuos, como quimioterapia e radioterapia, onde o tempo é determinante.
Falta de clareza amplia crise
Até o momento, não há:
• detalhamento público completo da dívida total
• reconhecimento oficial do passivo acumulado
• cronograma claro de regularização dos pagamentos
A ausência dessas informações contribui para o aumento da incerteza e para divergências sobre o valor real da dívida.
A crise da oncologia em Barra Mansa expõe um problema que vai além dos números.
De um lado, um Estado que acumula milhões em repasses atrasados.
De outro, uma gestão municipal que, segundo críticos, não exerceu pressão proporcional à gravidade da situação.
Entre os R$ 6 milhões oficiais e os quase R$ 20 milhões estimados, o que está em jogo não é apenas uma disputa de valores — mas a sustentabilidade de um serviço essencial para milhares de pacientes da região.
Foto Arquivo




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