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Furlani enfrenta professores nas ruas, Justiça entra no conflito e impasse salarial continua em Barra Mansa

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 59 minutos
3 min de leitura

Mudança na gratificação de regência provoca greve, sindicato questiona nova legislação e profissionais mantêm mobilização mesmo após determinação judicial para suspender a paralisação.


A disputa entre a Prefeitura de Barra Mansa e os profissionais da Educação ganhou novos capítulos e colocou o prefeito Luiz Furlani no centro de um confronto com uma das categorias mais importantes do serviço público municipal.


O que está em discussão não é apenas uma questão de reajuste salarial. Professores e demais profissionais da rede municipal contestam mudanças nas regras de pagamento dos adicionais, cobram garantias trabalhistas e questionam a condução das negociações pelo governo.


No dia 22 de outubro, a Câmara Municipal aprovou a Mensagem nº 29/2026, encaminhada pelo Executivo, alterando as regras dos adicionais da Educação. O ponto de maior controvérsia envolve a gratificação de regência, anteriormente prevista em 41% e agora estabelecida como um percentual de até 41%, cuja definição poderá ocorrer por meio de atos anuais do governo municipal.


Para o Sepe, a mudança representa um risco concreto de perda de direitos. A categoria entende que transformar um percentual previsto em lei em um limite máximo abre caminho para reduções futuras e compromete a segurança financeira dos trabalhadores.


A alteração provocou reação imediata. Em assembleia, os profissionais decidiram iniciar a greve em 26 de outubro, levando a disputa para as ruas e aumentando a pressão sobre a administração municipal.


Anúncio de piso não encerra a revolta


Em meio ao conflito, Luiz Furlani anunciou um salário-base de R$ 5.130,63 para o magistério em 2027. Entretanto, o anúncio não foi suficiente para convencer a categoria.


O sindicato questiona a apresentação do valor, uma vez que ele corresponde à jornada de 40 horas semanais, enquanto os professores municipais trabalham, em geral, 22 ou 25 horas.


Pela proporcionalidade, um profissional com jornada de 22 horas teria como referência aproximadamente R$ 2.821,85.


A discussão levantada pelos trabalhadores é que não basta anunciar um valor expressivo nas redes sociais. É necessário explicar quanto cada profissional efetivamente receberá, quais serão os critérios de pagamento e como ficarão os adicionais que compõem a remuneração.


Justiça determina suspensão, mas mobilização continua


O conflito chegou ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro. Em 28 de outubro, o Sepe anunciou uma ação questionando a constitucionalidade de dispositivos da Lei Municipal nº 6.182/2026.


No dia 29, uma decisão judicial determinou a suspensão imediata da greve, estabelecendo multa de R$ 500 mil ao sindicato e R$ 5 mil aos diretores da entidade por dia de descumprimento.


Apesar da determinação, os profissionais decidiram manter a mobilização. Novas manifestações foram anunciadas, incluindo um ato previsto para 3 de novembro.


Até o momento, não há confirmação pública de um acordo definitivo entre Prefeitura e sindicato.


Furlani precisa apresentar respostas


O prefeito Luiz Furlani precisa entender que uma disputa dessa dimensão não se resolve apenas com projetos encaminhados à Câmara, anúncios de reajustes ou decisões judiciais.


A administração municipal tem a responsabilidade de apresentar explicações transparentes, demonstrar como pretende preservar os direitos dos trabalhadores e estabelecer um canal efetivo de negociação.


Também é necessário considerar que a população não pode ficar à margem dessa discussão. Cada dia de conflito representa mais insegurança para os profissionais, para os estudantes e para as famílias que dependem da rede pública municipal.


Os professores não estão discutindo apenas números em uma folha de pagamento. Estão questionando regras que afetam sua remuneração e suas condições de trabalho.


O governo pode defender sua proposta, mas precisa responder objetivamente às reivindicações.


Barra Mansa não precisa de uma queda de braço entre Prefeitura e professores. Precisa de uma solução. E a responsabilidade de conduzir o diálogo e buscar uma saída também é do prefeito que está à frente do município.

Foto Reprodução


 
 
 

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