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Furlani erra ao dizer que Rodrigo Drable é o único caminho para Barra Mansa

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
30 de set.
3 min de leitura

Marcus Modesto

Furlani escolhe Rodrigo Drable e ignora o histórico judicial do ex-prefeito


Ao afirmar nas redes sociais que Rodrigo Drable seria o único candidato com chances em Barra Mansa, o prefeito Luiz Furlani fez uma escolha política clara. O problema é que, ao tentar apresentar Drable como uma espécie de única alternativa eleitoral, Furlani deixa de lado um histórico que não pode ser apagado das páginas da política de Barra Mansa.


Rodrigo Drable é réu em uma ação penal que tramita no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro sob o número 0039671-30.2020.8.19.0000, na qual o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro figura como autor e Drable aparece como réu. O processo tem como assunto organização criminosa. O registro do próprio TJRJ mostra que a ação continuava em tramitação em 2026.


A origem desse processo está em uma das operações mais graves envolvendo a política de Barra Mansa. Em julho de 2020, o MPRJ e a Polícia Civil realizaram uma operação com mandados de busca e apreensão na Prefeitura, na Câmara Municipal e em outros endereços ligados aos investigados.


Segundo o Ministério Público, Rodrigo Drable foi denunciado, junto com outros agentes públicos, por suspeita de participação em um esquema envolvendo corrupção ativa e organização criminosa, com a finalidade de formar uma base de apoio político na Câmara para favorecer interesses do então prefeito em votações.


A investigação teve consequências diretas para o prefeito. O Tribunal de Justiça chegou a determinar o afastamento de Drable do cargo. A decisão foi posteriormente suspensa parcialmente pelo então presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, que apontou problemas na fundamentação da medida cautelar e ressaltou que o afastamento não poderia funcionar como antecipação de uma eventual condenação.


Mas a história não terminou ali.


Durante a operação de julho de 2020, Rodrigo Drable também foi preso em flagrante por posse de arma de fogo sem o devido registro, conforme informou oficialmente o Ministério Público. Ele foi liberado posteriormente mediante pagamento de fiança.


E o processo criminal continua fazendo parte do histórico judicial do ex-prefeito. Em 25 de março de 2026, o próprio TJRJ registrava em pauta a ação penal 0039671-30.2020.8.19.0000, tendo o Ministério Público como autor e Rodrigo Drable como réu, com organização criminosa entre os assuntos processuais.


Há ainda ações civis públicas relacionadas à administração pública que aparecem nos registros do Tribunal de Justiça. Entre elas estão os processos 0097245-74.2021.8.19.0000 e 0028518-63.2021.8.19.0000, classificados pelo TJRJ como ações civis públicas envolvendo improbidade administrativa e atos administrativos.


Outro procedimento que chegou aos tribunais de controle foi uma tomada de contas especial analisada pelo Tribunal de Contas da União. O processo 002.985/2024-1 envolveu recursos destinados à reforma do Campo de Futebol do Centro de Lazer Feliz da Vida, em Barra Mansa. O TCU registrou que a tomada de contas havia sido instaurada diante da não comprovação da regular aplicação dos recursos, mas, ao final, acatou a defesa de Drable, julgou as contas regulares com ressalva, deu quitação e arquivou o processo, reconhecendo a ausência de dano ao erário.


É justamente esse conjunto de fatos que torna a declaração de Furlani tão controversa.


O atual prefeito não está simplesmente elogiando um adversário político. Está tentando colocar Rodrigo Drable como o único nome capaz de disputar a eleição em Barra Mansa, como se a cidade estivesse condenada a escolher entre poucas opções e como se o passado político do ex-prefeito não precisasse ser levado em consideração.


Mas o passado está nos tribunais.


Está em uma ação penal por organização criminosa. Está na investigação do Ministério Público que apontou suspeitas de corrupção. Está no afastamento determinado pelo Tribunal de Justiça em 2020. Está no episódio da prisão em flagrante por posse irregular de arma. E está em ações civis públicas que aparecem nos registros do TJRJ.


Isso não significa transformar processo em condenação. Significa mostrar ao eleitor quem é o nome que Furlani decidiu apresentar como sua aposta política.


E há uma pergunta inevitável: por que Furlani considera Rodrigo Drable o único candidato com chances em Barra Mansa?


A resposta é política, não jurídica. É uma avaliação do prefeito.


O eleitor, porém, tem outra obrigação: olhar para os fatos.


Rodrigo Drable pode tentar voltar à cena política, pode apresentar sua defesa, pode disputar eleições e pode responder aos processos. Mas não pode exigir que sua trajetória seja contada apenas pelos discursos de campanha.


E Furlani, ao escolher Drable como seu nome de referência, também precisa assumir politicamente essa escolha.


Barra Mansa não precisa de candidato apresentado como inevitável. Precisa de debate público, transparência e memória.


A cidade já conhece Rodrigo Drable. Agora, cabe ao eleitor decidir o que fazer com tudo aquilo que consta nos tribunais.

Foto Felipe Vieira


 
 
 

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