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Furtos de bicicletas disparam no Rio: aumento de 59% em dois meses

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 8 de abr. de 2025
  • 3 min de leitura

Modelos elétricos e esportivos viram alvo de criminosos, que invadem até prédios para levar veículos que chegam a custar até R$ 16 mil


Ágeis, sustentáveis e ideais para deslocamentos urbanos, as bicicletas se tornaram alvo preferencial de criminosos no estado do Rio. Em apenas dois meses, os furtos desse tipo de veículo cresceram 59%, segundo dados do Instituto de Segurança Pública (ISP). Foram 838 ocorrências registradas entre janeiro e fevereiro de 2025, contra 526 no mesmo período de 2024 — uma média de 14 casos por dia.


Na capital fluminense, o aumento foi ainda mais acentuado: 106% de crescimento. Em dois meses, 470 bicicletas foram furtadas — praticamente o dobro dos 228 registros do início do ano passado. A delegacia do Leblon (14ª DP) lidera o ranking com 121 casos. Os roubos, que envolvem ameaça ou violência, também cresceram: de 34 para 80 registros no estado, no mesmo intervalo.


Crimes dentro dos prédios


Os criminosos têm agido com ousadia. No Catete, Zona Sul da capital, o subsíndico e ciclista amador Milton Augusto da Silva, de 44 anos, viu a segurança do próprio prédio ser violada. No dia 23 de março, um homem mascarado entrou no edifício usando uma chave mestra, foi até o bicicletário e, em cerca de dez minutos, cortou cadeados, desligou o alarme e levou uma bicicleta avaliada em R$ 6 mil — comprada há menos de dois meses e usada pela esposa de Milton para levar a filha à escola. Um ano antes, a bicicleta esportiva dele, de R$ 9 mil, também havia sido furtada.


— É uma sensação de insegurança, de incapacidade de manter o local seguro. Hoje, o medo de sair do apartamento é maior do que o de sair para a rua — lamenta Milton.


O caso está sob investigação da 9ª DP (Catete). Apenas uma semana depois, um suspeito com roupas semelhantes e também mascarado invadiu um prédio em Copacabana. Usando novamente uma chave mestra, abriu o portão, acenou para as câmeras simulando ser um morador e saiu calmamente com uma bicicleta elétrica, levando até o capacete.


— Ganhei a bike há um ano, ela vale cerca de R$ 8 mil. Só percebi que foi levada no dia seguinte — conta Mariana Fernandes, analista de licitação de 32 anos.


Niterói também registra alta


Além da capital, Niterói aparece com destaque nos números. Delegacias como a 77ª DP (Icaraí) e a 76ª DP (Centro de Niterói) estão entre as que mais receberam registros. Em toda a cidade, os ciclistas relatam mudança de comportamento, com mais precauções.


— Antes usávamos cabos de aço. Agora só trava de aço maciço e preferência por bicicletários em áreas fechadas — afirma Cláudio Santos, presidente da Associação de Ciclistas do Estado do Rio.


A delegada Thaiane Barbosa, titular da 14ª DP, afirma que há uma força-tarefa investigando os casos e que uma das principais linhas é o abastecimento de um mercado clandestino de revenda. Segundo ela, os furtos são cometidos por grupos organizados.


— É fundamental que as vítimas façam boletim de ocorrência. Isso alimenta o cruzamento de informações e ajuda a rastrear os criminosos — ressalta a delegada.


Seguro: demanda em alta


Diante da crescente onda de furtos, aumenta também a procura por seguros. Segundo Jarbas Medeiros, presidente da comissão de riscos patrimoniais da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), o primeiro trimestre de 2025 registrou um salto na contratação de seguros para bicicletas, principalmente elétricas, nas regiões Metropolitana e Litorânea.


Os planos mais simples, que cobrem roubo, furto, acidentes e assistência, custam entre 8% e 10% do valor do bem. Já os pacotes mais completos, com cobertura a terceiros e assistência total, variam entre 10% e 12% ao ano.


— O seguro pode ser contratado apenas por maiores de idade, mas algumas seguradoras já oferecem cobertura para bicicletas usadas por menores — explica Medeiros.


A Tembici, responsável pelo sistema de bicicletas compartilhadas no Rio, também adota medidas preventivas. A empresa não divulga o número de furtos, mas afirma que seus veículos são equipados com GPS e alarme, o que mantém a taxa de perda abaixo de 0,2%.


Enquanto autoridades tentam conter a escalada de crimes, ciclistas seguem redobrando os cuidados. A bicicleta, que deveria ser símbolo de liberdade e mobilidade, passou a exigir medidas dignas de veículos de luxo




 
 
 

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