Futebol acima da cidade: prefeito decreta ponto facultativo em Barra Mansa por causa de jogos
- Marcus Modesto
- 16 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
Enquanto a população de Barra Mansa convive diariamente com falhas na saúde pública, problemas de infraestrutura, dificuldades no transporte e cobranças constantes por mais eficiência nos serviços municipais, o prefeito Luiz Furlani decidiu decretar ponto facultativo a partir das 12h desta quarta-feira, dia 17. O motivo não está ligado a qualquer planejamento administrativo, necessidade emergencial ou benefício direto à coletividade, mas sim a partidas decisivas de futebol.
A medida acompanha decreto do governador Cláudio Castro, que também liberou os servidores estaduais no mesmo dia e horário, em razão da final da Copa Intercontinental FIFA, disputada pelo Flamengo contra o Paris Saint-Germain, e da primeira partida da decisão da Copa do Brasil, entre Vasco e Corinthians. Ao simplesmente seguir a decisão do Estado, Furlani abre mão de uma análise mínima da realidade local e reforça a percepção de uma gestão que atua no piloto automático.
O futebol, paixão nacional, não pode ser utilizado como justificativa para suspender parcialmente o funcionamento da máquina pública municipal, especialmente em uma cidade que enfrenta demandas urgentes e reclamações recorrentes da população. A mensagem transmitida é clara: a agenda esportiva pesa mais do que a rotina de trabalho do serviço público e as necessidades concretas dos moradores.
Embora o decreto ressalte que os serviços essenciais funcionarão normalmente, é inegável que o ponto facultativo impacta o atendimento, reduz a produtividade e compromete a eficiência administrativa. Em vez de apresentar soluções, planejamento e foco nos problemas reais de Barra Mansa, a Prefeitura opta por liberar expediente para que servidores acompanhem jogos de clubes que, vale lembrar, sequer representam diretamente o município.
A decisão expõe uma escolha política questionável e reforça a crítica de que falta prioridade à gestão pública. Quando o futebol se sobrepõe ao interesse coletivo, quem perde, mais uma vez, é a população.
Foto Divulgação




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