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Gastos com internações por água contaminada em Paraty superam R$ 26 mil em 2023, com foco em crianças pequenas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 15 de jul. de 2025
  • 2 min de leitura

Marcus Modesto


Um levantamento do Painel Saneamento Brasil, com base em dados oficiais de 2023, revela que Paraty (RJ) gastou R$ 26.446,21 em internações provocadas por doenças de veiculação hídrica — enfermidades causadas principalmente pelo contato ou consumo de água contaminada, como diarreia, hepatite A, febre tifóide e giardíase.


Apesar de parecer um valor modesto à primeira vista, ele representa um retrato preocupante do impacto da precariedade do saneamento básico na saúde pública, sobretudo entre crianças. Das 63 internações registradas, 13 ocorreram entre crianças de 0 a 4 anos, a faixa etária mais vulnerável, e 9 foram de crianças entre 5 e 14 anos. O restante abrange jovens e adultos, mas a concentração entre os pequenos revela uma ameaça invisível que atinge diretamente as famílias de baixa renda.


A causa principal dessas doenças, segundo os dados, está relacionada à falta de coleta de esgoto e ao abastecimento irregular de água. Em Paraty, apenas 43,82% da população tem acesso à rede de esgoto. Isso significa que mais da metade dos moradores ainda vive em áreas sem coleta, sendo que quase 5% da população não têm nenhum tipo de esgotamento sanitário. Além disso, 35,1% da água potável é perdida na distribuição, o que prejudica o abastecimento e aumenta o risco de contaminação por infiltrações ou tubulações danificadas.


A incidência de internações por essas doenças é de 13,7 a cada 10 mil habitantes, o que coloca Paraty em um patamar de alerta, principalmente por ser um município com forte vocação turística. O número elevado de casos entre crianças pequenas reforça a urgência de ações estruturantes na área de saneamento e prevenção.


Os especialistas alertam que, além do custo para o sistema de saúde, essas doenças trazem prejuízos mais profundos: afastamento escolar, atraso no desenvolvimento infantil e impactos na renda das famílias que precisam cuidar das crianças doentes.


Embora os dados mostrem que mais de R$ 19 milhões foram investidos em saneamento em 2022, os resultados ainda não chegaram às comunidades mais carentes. Sem políticas públicas efetivas que levem água tratada e esgoto seguro para todos, o ciclo de internações e gastos hospitalares tende a se repetir ano após ano — sempre com as crianças como as principais vítimas da omissão do Estado.


Fonte: Painel Saneamento Brasil (SNIS, DATASUS, IBGE, ITB) – Dados de 2023.


 
 
 

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