Governo Bolsonaro mudou regras do INSS e abriu caminho para explosão de consignado sob suspeita
- Marcus Modesto
- 8 de abr.
- 2 min de leitura
Mudanças realizadas no INSS durante o governo Jair Bolsonaro estão no centro de uma nova controvérsia envolvendo o avanço de um produto financeiro que atingiu milhões de aposentados e pensionistas.
Revelações indicam que alterações normativas ocorreram em tempo recorde após demanda do Banco Master, permitindo a ampliação do chamado “cartão consignado de benefício”. A medida abriu o acesso a um público muito mais amplo — e vulnerável.
O efeito foi imediato e expressivo: o número de contratos saltou de cerca de 105 mil em 2022 para 2,75 milhões em 2024. Um crescimento explosivo que hoje levanta dúvidas sobre a forma como essas adesões ocorreram.
Crescimento rápido e sinais de alerta
As mudanças começaram em março de 2022, mas ganharam força em junho, quando o INSS publicou regras mais detalhadas logo após solicitação formal do banco. Na prática, isso viabilizou a operação em larga escala do produto.
A atual gestão do instituto identificou indícios de irregularidades, incluindo possíveis cobranças abusivas e falhas na formalização dos contratos — problemas que atingem diretamente beneficiários da Previdência.
Investigação em curso
A Polícia Federal investiga um possível esquema de descontos indevidos em benefícios ligados a essas operações. Entre os nomes citados está o ex-presidente do INSS, José Carlos Oliveira, suspeito de ter atuado para viabilizar o modelo.
Diante das inconsistências, o INSS decidiu não renovar o acordo com a instituição financeira e suspendeu o formato atual do consignado.
Impacto direto nos mais vulneráveis
O caso levanta questionamentos sobre a condução das políticas públicas no período e sobre quem, de fato, se beneficiou das mudanças. Enquanto instituições financeiras ampliavam seus lucros, aposentados e pensionistas podem ter sido expostos a contratos pouco transparentes e descontos indevidos.
As investigações continuam, mas o episódio já evidencia um ponto sensível: decisões administrativas podem ter aberto espaço para um modelo que hoje está sob suspeita — e que atingiu milhões de brasileiros.




Comentários