Governo tenta remendar aumento do IOF em meio à pressão política e incertezas fiscais
- Marcus Modesto
- 8 de jun. de 2025
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Depois de mais de uma semana de desgaste político e resistência do Congresso, o governo federal tenta, neste domingo (7), encontrar uma saída para o polêmico aumento do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). A equipe econômica de Fernando Haddad se reúne com os principais líderes partidários na residência oficial do presidente da Câmara, Hugo Motta, na tentativa de apagar o incêndio causado por mais uma medida adotada sem diálogo e com impacto direto no bolso do contribuinte.
A solução apresentada deve envolver um combo complexo: projeto de lei, proposta de emenda à Constituição (PEC) e, possivelmente, uma medida provisória. É o típico remendo legislativo que tenta corrigir um erro cometido às pressas, sem transparência e sem considerar o peso que recai sobre a população já sufocada por juros altos, inflação persistente e serviços públicos precários.
A reação veio rápido. Hugo Motta, presidente da Câmara, deu o recado de forma clara: ou o governo apresenta alternativas críveis e eficazes, ou o projeto de decreto legislativo que derruba o aumento do IOF vai para votação já nesta terça-feira. E não será fácil barrar a movimentação parlamentar: há um cansaço visível no Congresso com as contradições entre o discurso da responsabilidade fiscal e medidas que, na prática, penalizam setores estratégicos da economia e o cidadão comum.
Motta aproveitou o momento para reacender dois debates cruciais: a revisão dos benefícios fiscais — muitos dos quais são mantidos sem qualquer controle ou contrapartida — e a reforma administrativa, que segue engavetada enquanto o Estado brasileiro continua pesado, lento e ineficiente. “É preciso modernizar para entregar mais com menos”, afirmou, em discurso direto a empresários e políticos em Guarujá (SP).
Do lado do governo, Haddad segue tentando justificar o aumento do IOF com a mesma narrativa: ele diz estar preso às amarras da Lei de Responsabilidade Fiscal e do novo arcabouço fiscal. Mas o argumento já começa a perder força diante da crescente percepção de improviso. O próprio ministro admite que pode rever parte do decreto, mas só depois de saber quanto exatamente as novas medidas arrecadarão — ou seja, primeiro se aumentou o imposto, depois se busca uma compensação.
Fica evidente que o governo erra na forma e no conteúdo. Um tema delicado como aumento de imposto deveria vir acompanhado de diálogo, planejamento e clareza sobre objetivos e impactos. Ao agir com atropelo, o Planalto acabou enfrentando uma crise que poderia ter sido evitada — mais uma vez, à custa da credibilidade política e da estabilidade econômica.
A reunião deste domingo não é apenas para “apresentar alternativas”. É uma tentativa de conter danos. E o tempo está se esgotando.
Fonte Agência Brasil
Foto Lula Marques




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