Greve em Barra Mansa segue sem solução e adentra novos capítulos de mobilização
- Marcus Modesto
- 30 de jun. de 2025
- 3 min de leitura
Barra Mansa (RJ), 30 de junho de 2025 – O movimento grevista dos profissionais da educação em Barra Mansa permanece em impasse, mesmo após múltiplas mobilizações e rodadas de negociação com a prefeitura. A paralisação, que já dura mais de dois meses, tem gerado preocupação entre pais de alunos e lançado nova pressão sobre o governo municipal.
Nova convocação e retomada da greve
Em 24 de junho, o Sindicato Estadual dos Profissionais de Educação (Sepe‑BM) promoveu um ato no pátio da Prefeitura, reivindicando o respeito ao Plano de Cargos e Carreira (PCC) e o cumprimento do piso nacional do magistério. Professores denunciaram que a Prefeitura teria revogado cláusulas já acordadas, incluindo dispositivos do PCC e flexibilizações na reforma previdenciária, consideradas retrocessos pela categoria .
Intervenção judicial e diferentes frentes de pressão
O Sepe informa que a Justiça suspendeu, temporariamente, a obrigação de reajustar o piso do magistério em Barra Mansa, alegando “impacto financeiro significativo” ao município. A decisão é considerada provisória e será objeto de recurso pelo sindicato .
Paralelamente, a Secretaria de Educação segue chamando concursados: apenas no dia 23 de junho, foram convocados servidores para atuar em creches, medida vista como tentativa de mitigar os efeitos da greve .
Estado de greve e passagens pelo impasse
Embora o movimento remonte a março (com estado de greve já em 14/3) , foram em junho que os profissionais intensificaram a pressão:
• Na primeira metade de junho, a greve de advertência foi deflagrada por 48 horas (dias 10 e 11), associada a atos públicos em frente à Prefeitura e mobilizações pela cidade .
• Em 13 de junho, após uma grogue parada de 48 horas, os grevistas decidiram prolongar o movimento por tempo “indeterminado”, organizando passeatas e panfletagens em Vila Nova, Vista Alegre e no centro da cidade .
Pautas centrais e impacto no ambiente escolar
As reivindicações dos profissionais incluem:
1. Reajuste salarial e respeito ao piso nacional (Lei 11.738/2008);
2. Garantia de cumprimento do PCC, sem revogações unilaterais;
3. Flexibilização da reforma previdenciária municipal, considerada prejudicial à aposentadoria;
4. Melhorias nas condições de trabalho, como infraestrutura, agentes de apoio e cumprimento do terço de planejamento;
5. Convocação de concursados para suprir defasagem de profissionais .
Resposta da Prefeitura de Barra Mansa
A prefeitura tem defendido que mantém diálogo e encaminhado diversas demandas, porém acusa o sindicato de expandir pautas não negociadas e exigi-los todos de uma vez. Alega que quando do aumento de carga horária, há reposição salarial proporcional .
A administração municipal também enfatiza a necessidade de estudos técnicos para qualquer alteração e afirma que o piso do magistério, com regência incluída, já atinge R$ 3.572 para carga de 20 h semanais .
Cenário atual e próximos passos
O movimento está dividido entre períodos de paralisação pontual e adesão a um estado de greve indefinido. Enquanto isso, o sindicato continua mobilizado com forte adesão. Os próximos passos incluem:
• Recursos jurídicos contra a suspensão do piso nacional em julgamento no TJ‑RJ;
• Novas reuniões com o prefeito Luiz Furlani, mas ainda sem previsão clara de retomada do diálogo;
• A prefeitura anuncia substituição parcial de docentes e reforço com concursado
A greve dos profissionais da educação de Barra Mansa permanece sem solução clara. A categoria segue pressionando por direitos considerados essenciais, enquanto a prefeitura sustenta que tem oferecido diálogo e ajustes proporcionais. O impasse jurídico e político ainda domina, deixando em aberto a retomada das aulas e redefinição das condições de trabalho. A comunidade escolar permanece em estado de alerta, aguardando um desfecho que valorize os profissionais e garanta o mínimo de continuidade no calendário educacional.




Comentários