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Guerra política no Rio escancara uso perigoso de acusações e narrativas

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

O mais recente embate entre Eduardo Paes e Cláudio Castro expõe um cenário preocupante: o avanço de uma disputa política que ultrapassa o campo das ideias e flerta com a instrumentalização de acusações graves.


A prisão do vereador Salvino Oliveira, sob suspeita de ligação com o crime organizado, rapidamente se transformou em munição política. Antes mesmo de qualquer conclusão sólida, o episódio foi tratado como sentença definitiva nas redes sociais. O problema é que a própria Justiça tratou de esfriar a narrativa ao classificar as provas como “precárias” e “insuficientes”, determinando sua soltura poucos dias depois.


Ainda assim, o estrago já estava feito.


Ao manter no ar uma publicação que associa diretamente o vereador ao Comando Vermelho, Castro ignora um princípio básico do Estado democrático: ninguém deve ser condenado sem provas consistentes. Mais do que isso, reforça a perigosa prática de transformar investigações em espetáculo político.


A reação de Paes, cobrando retratação, não deixa de ter fundamento. Mas também revela o grau de deterioração institucional. Em vez de um debate responsável, o que se vê é uma troca pública de acusações, onde a preocupação com a verdade parece secundária diante do cálculo político.


O caso levanta uma questão ainda mais grave: até que ponto forças policiais e operações sensíveis estão sendo usadas — ou ao menos percebidas — como ferramentas dentro de disputas de poder?


A denúncia levada à Procuradoria-Geral da República pelo PSD reforça essa suspeita. Quando partidos políticos passam a questionar a lisura de ações policiais, o sinal de alerta não é apenas institucional — é democrático.


No meio desse confronto, a população assiste a um roteiro já conhecido: acusações explosivas, repercussão imediata e, depois, o silêncio quando os fatos não se sustentam. A consequência é a erosão da confiança pública, tanto na política quanto nas instituições responsáveis por investigar e julgar.


No fim, não se trata apenas de quem tem razão nesse episódio específico. O que está em jogo é algo maior: o risco de banalização de acusações gravíssimas e o uso da máquina pública como extensão de disputas eleitorais.


E quando isso se torna rotina, todos perdem — principalmente a credibilidade das instituições que deveriam estar acima desse tipo de conflito.



 
 
 

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