Haddad alerta Congresso: derrubar alta do IOF pode gerar colapso nas contas públicas
- Marcus Modesto
- 29 de mai. de 2025
- 2 min de leitura
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniu nesta quarta-feira (28) com líderes do Congresso Nacional para defender a manutenção do decreto que aumentou o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), medida anunciada na semana passada. O ministro foi claro: derrubar o decreto colocaria em risco o equilíbrio das contas públicas e afetaria diretamente o funcionamento da máquina estatal.
Durante o encontro com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), e o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), Haddad explicou que a medida é essencial para garantir a arrecadação necessária em 2025 e 2026, com previsão de entrada de R$ 20 bilhões no próximo ano e até R$ 40 bilhões no seguinte.
“Se o Congresso sustar a medida, não teremos outra alternativa além de um contingenciamento drástico. Isso comprometeria seriamente a manutenção dos serviços públicos, colocando o Estado em uma situação muito delicada”, alertou o ministro.
A elevação do IOF atinge especialmente operações de crédito de empresas, compras de moeda, remessas para o exterior e o uso de cartões internacionais. Após forte pressão, o governo decidiu manter a isenção sobre remessas de recursos de fundos de investimentos internacionais, que inicialmente seriam taxadas em 3,5%.
Pressão política cresce no Congresso
Mais de 20 projetos já foram protocolados por parlamentares que tentam derrubar o decreto. O clima é de insatisfação em diversas bancadas, que cobram do governo soluções de longo prazo em vez de aumentos pontuais de impostos.
Haddad admite que alternativas estruturantes precisam ser discutidas, mas reforça que, no curto prazo, não há outra saída para fechar as contas sem o IOF mais alto. “Recebemos sugestões do setor financeiro, que estão sendo analisadas, mas temos limitações constitucionais para encontrar uma fonte de receita imediata”, explicou.
Risco de paralisia no governo
O líder do governo no Congresso, senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), também subiu o tom e alertou que uma eventual revogação do decreto poderia levar o país a um “shutdown”, termo usado para descrever a paralisia de serviços públicos por falta de orçamento — cenário comum em países como os Estados Unidos, mas inédito no Brasil.
O Congresso agora pressiona o Ministério da Fazenda a apresentar um plano robusto de médio e longo prazo, que inclua controle de gastos, revisão de benefícios fiscais e reformas estruturais. Uma nova rodada de negociações está prevista para a próxima semana.
Impacto direto no bolso
Enquanto o embate acontece nos bastidores de Brasília, a população já começa a sentir os efeitos. Com IOF mais alto, operações como parcelamentos, compras internacionais e viagens ficam mais caras. Empresas também enfrentam aumento no custo de crédito, o que pode ter reflexo no consumo, no investimento e, consequentemente, na economia como um todo.




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