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Hospital Hugo Miranda enfrenta crise prolongada e expõe falhas na gestão da saúde em Paraty

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 17 de jan.
  • 2 min de leitura

PARATY – janeiro de 2026 — O Hospital Municipal Hugo Miranda, principal unidade de atendimento público de Paraty, atravessa uma crise que se arrasta desde o ano passado e que, até o momento, não recebeu resposta efetiva do poder público. Relatos de profissionais de saúde, pacientes e familiares indicam precarização da estrutura, falhas assistenciais e sobrecarga das equipes.


Segundo trabalhadores da unidade, há falta recorrente de medicamentos, materiais hospitalares e insumos básicos. Equipamentos funcionam de forma limitada, setores operam com equipes reduzidas e exames têm sido adiados por ausência de condições técnicas. O impacto recai diretamente sobre o atendimento prestado à população.


Profissionais ouvidos pela reportagem afirmam que a redução de pessoal tem resultado em jornadas exaustivas e comprometimento da assistência. Além disso, há denúncias de um ambiente interno marcado por pressão e receio de represálias, o que dificulta a exposição de problemas estruturais.


Pacientes e familiares também relatam atendimento insuficiente e altas hospitalares sem diagnóstico conclusivo. Em um dos casos que vieram a público em janeiro de 2025, imagens enviadas por familiares mostram uma paciente internada recebendo apenas medicação básica, sem registros clínicos no prontuário. À época, a situação gerou questionamentos sobre os critérios adotados pela unidade.


A gestão do Hospital Hugo Miranda está sob responsabilidade da organização Viva Rio. Em nota publicada em 13 de janeiro de 2025, a entidade afirmou que a paciente citada estava sendo acompanhada por equipe médica especializada. Os registros apresentados pelos familiares, no entanto, contradizem a versão oficial.


O cenário chama atenção pelo fato de o hospital ter recebido, pouco tempo antes, certificação da Organização Nacional de Acreditação (ONA), que reconhece padrões de qualidade assistencial. Menos de um ano depois, a unidade passou a ser alvo de denúncias que apontam perda de estrutura e capacidade operacional.


Apesar da gravidade da situação, até a publicação desta reportagem, não houve posicionamento público do prefeito de Paraty nem do secretário municipal de Saúde sobre as denúncias envolvendo o hospital. A ausência de esclarecimentos oficiais tem ampliado a sensação de abandono relatada por profissionais e usuários do sistema.


Especialistas em gestão pública avaliam que a falta de diálogo com as equipes e a ausência de transparência comprometem qualquer tentativa de reestruturação. “Quando a linha de frente não é ouvida, o serviço entra em colapso”, afirmou à reportagem um gestor com experiência na área hospitalar.


Enquanto isso, pacientes e trabalhadores convivem com incertezas. O Hospital Municipal Hugo Miranda, historicamente referência no atendimento à população de Paraty, hoje enfrenta questionamentos sobre sua capacidade de garantir assistência segura e contínua.


A reportagem permanece aberta para manifestação da Prefeitura de Paraty, da Secretaria Municipal de Saúde e da organização Viva Rio.

Foto Arquivo


 
 
 

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