Hugo Motta freia processo de cassação de Glauber Braga, e greve de fome segue pressionando bastidores da Câmara
- Marcus Modesto
- 17 de abr. de 2025
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O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou nesta quinta-feira (17) que irá respeitar o prazo regimental de 60 dias para a defesa do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ), antes de levar ao plenário o processo que pode culminar na cassação do mandato do parlamentar. A declaração sinaliza que a votação não ocorrerá neste semestre, o que, na prática, desacelera o trâmite e amplia a margem para negociações políticas.
A fala de Motta ocorre em meio à greve de fome iniciada por Glauber na semana passada, em protesto contra o parecer da Comissão de Ética da Casa, que recomendou sua cassação por agressão a um militante do Movimento Brasil Livre (MBL). O gesto extremo do deputado mobilizou o Palácio do Planalto: a ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, visitou Glauber e articulou junto a outros ministros uma ofensiva para evitar a perda do mandato.
Nos bastidores, o episódio é visto como um novo teste de força entre alas divergentes da esquerda e do centrão. A substituição de Glauber por sua suplente, Heloisa Helena, é fator de incômodo entre diversas correntes políticas. Ex-senadora combativa e adversária histórica do ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), Heloisa também é vista como uma voz crítica dentro da própria Rede, especialmente em relação à ministra Marina Silva.
Fontes do PSOL afirmam que o atual presidente da Câmara estaria sendo influenciado por seu padrinho político, Arthur Lira, desafeto declarado de Glauber. A legenda já se articula para recorrer à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) contra o parecer da Comissão de Ética e não descarta acionar o Supremo Tribunal Federal (STF) para barrar o processo.
Apesar da tentativa de negociação, o clima é de tensão. O PSOL promete obstruir votações no plenário enquanto a situação de Glauber não for revertida. “Ele colecionou inimigos”, teria dito Motta a aliados, ao sinalizar que não pretende interceder para manter o colega no cargo.
Para que a cassação se confirme, são necessários ao menos 257 votos no plenário da Câmara. Embora o número seja alto, o isolamento político de Glauber — inclusive fora dos círculos da oposição — preocupa sua base. A expectativa é de que a votação, quando ocorrer, reflita não apenas o episódio envolvendo o MBL, mas também os embates acumulados por Glauber ao longo de seu mandato.




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