Inclusão avança em Barra Mansa, mas desafios estruturais ainda testam a política para pessoas com deficiência
- Marcus Modesto
- 29 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
A criação da Secretaria Municipal da Pessoa com Deficiência (SMPD) marcou 2025 como um ano simbólico para Barra Mansa. Ao completar seu primeiro ciclo de funcionamento, a pasta apresenta números robustos, amplia a presença institucional da pauta da inclusão e ocupa um espaço que, até então, era tratado de forma fragmentada dentro da administração municipal. Ainda assim, os resultados, embora relevantes, também revelam os limites e os desafios de transformar ações em política pública permanente.
Sob comando da vice-prefeita Luciana Alves, a secretaria estruturou serviços básicos e inéditos, como o Censo da Pessoa com Deficiência, a emissão de documentos específicos — entre eles a CIPTEA e carteiras de fibromialgia — e a implantação da Central de Intérpretes de Libras. Ao todo, foram mais de 1,2 mil atendimentos registrados ao longo do ano, além da distribuição de itens de acessibilidade e do suporte inclusivo em eventos oficiais e atividades educacionais.
Os números indicam avanço, mas também levantam questionamentos. Em um município com dezenas de milhares de habitantes, os 739 cadastros no censo ainda apontam para uma base de dados em construção, distante de refletir a real dimensão da população com deficiência. O desafio agora não é apenas cadastrar, mas usar essas informações para planejar políticas de longo prazo, com metas claras, orçamento definido e impacto mensurável.
A presença da SMPD em eventos públicos e ações culturais reforçou o caráter simbólico da inclusão, tornando visível uma população historicamente invisibilizada. No entanto, a consolidação dessa política depende menos da agenda institucional e mais da integração efetiva com áreas sensíveis, como Saúde, Educação, Mobilidade Urbana e Emprego. Iniciativas como o mutirão de neuropediatria, o Programa Emprego Apoiado e a articulação para aquisição de uma van adaptada mostram que esse caminho começou a ser trilhado, ainda que em ritmo gradual.
Outro ponto positivo foi a inserção de Barra Mansa em fóruns estaduais e nacionais de gestores da pessoa com deficiência, ampliando o acesso a boas práticas e fortalecendo a troca de experiências. Isso contribui para que a cidade deixe de atuar de forma isolada e passe a dialogar com políticas mais amplas, algo essencial para evitar soluções improvisadas ou meramente assistencialistas.
Apesar dos avanços, 2025 também expôs uma realidade: criar uma secretaria é apenas o primeiro passo. A efetividade das ações dependerá da capacidade de transformar programas-piloto em políticas contínuas, com avaliação permanente e participação direta da comunidade PcD nas decisões. A promessa de novas iniciativas para 2026 — como o Fórum dos Surdos, o Sinalário Oficial, projetos culturais acessíveis e capacitação de familiares — amplia o horizonte, mas também aumenta a responsabilidade da gestão.
A SMPD encerra seu primeiro ano com saldo positivo, sobretudo pela estruturação inicial e pelo reconhecimento institucional da pauta da deficiência. O próximo desafio será sair da fase de implantação e avançar para a consolidação, garantindo que inclusão não seja apenas discurso ou agenda de eventos, mas um eixo transversal e permanente da política pública municipal.
Foto Gabriel Borges




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