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Influência do crime: operação expõe relação entre redes sociais, ostentação e jogos ilegais

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
7 de ago. de 2025
2 min de leitura

A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (7) uma operação de grande porte contra um grupo de 15 influenciadores digitais acusados de promover jogos de azar na internet. Ao todo, foram cumpridos 31 mandados de busca e apreensão nos estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. A ação, coordenada pela Delegacia de Combate às Organizações Criminosas e à Lavagem de Dinheiro (DCOC-LD), revelou uma teia complexa de interesses, lucros milionários e a utilização das redes sociais como ferramenta para aliciamento digital.


Entre os investigados estão nomes de destaque no universo das plataformas digitais, como Maumau ZK, Bia Miranda e DJ Buarque, que juntos somam mais de 15 milhões de seguidores apenas no Instagram. A fama virtual, neste caso, foi usada como isca. De acordo com a investigação, os influenciadores promoviam plataformas de apostas como o polêmico “Jogo do Tigrinho”, mascarando os riscos com promessas de dinheiro fácil e ostentando um estilo de vida de luxo nas redes.


Na casa de Maumau ZK, os agentes apreenderam uma arma de fogo calibre .38 com a numeração raspada. O influenciador foi preso em flagrante por posse ilegal de arma de uso restrito.


Estilo de vida e lavagem de dinheiro


A investigação aponta para uma estrutura organizada, com funções bem definidas: desde a captação de apostadores nas redes até a ocultação do dinheiro através de empresas de fachada. O Coaf identificou transações bancárias suspeitas que somam mais de R$ 4 bilhões. Um número estarrecedor, considerando que muitos dos investigados ostentavam nas redes uma vida incompatível com qualquer atividade profissional legalmente conhecida.


Viagens internacionais, mansões, carros importados e relógios de grife compõem o cenário de ilusão promovido pelos investigados — um teatro para atrair seguidores e induzi-los ao vício em jogos ilegais.


Segundo a polícia, além da lavagem de dinheiro, há indícios de ligações com outras atividades criminosas. Os promotores desse esquema não atuavam sozinhos: contavam com operadores financeiros, publicitários e até agências de marketing para garantir o alcance da fraude.


A bolha dos influenciadores e a falta de regulação


O caso reacende o debate sobre a ausência de fiscalização no universo dos influenciadores digitais. Muitos atuam como empresas sem qualquer tipo de regulação efetiva, promovendo produtos e serviços — inclusive ilegais — para públicos vulneráveis, muitas vezes jovens e de baixa renda.


As redes sociais, que deveriam ser espaços de convivência e criatividade, acabam se tornando vitrines para golpes digitalizados. E, pior: essas práticas se camuflam no marketing, dificultando o rastreamento e alimentando uma economia paralela bilionária.


A operação ainda está em andamento. Até o momento, apenas uma prisão foi efetuada. A reportagem tenta contato com os citados, que ainda não se pronunciaram. O espaço segue aberto para manifestações.


 
 
 

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