Investigação do Gaeco apura possível rede de influência entre empresários e oficiais da PM de São Paulo
- Marcus Modesto
- 21 de jul.
- 2 min de leitura
Uma nova etapa das investigações conduzidas pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), realizada nesta terça-feira (21), trouxe à tona indícios de uma possível ligação entre empresários investigados por crimes financeiros e integrantes do alto comando da Polícia Militar de São Paulo.
A apuração é um desdobramento das operações Recidere e Bazaar e tem como base mensagens, áudios e planilhas financeiras apreendidos ao longo dos últimos anos. Segundo os investigadores, o material analisado aponta para contatos frequentes entre os suspeitos e oficiais da corporação, além de registros de movimentações financeiras que agora estão sob análise.
Os relatórios produzidos pela Polícia Judiciária destacam a atuação dos empresários Cléber Azevedo dos Santos e Robson Martins de Souza, apontados como personagens centrais do esquema investigado. De acordo com o Gaeco, conversas interceptadas sugerem que ambos mantinham acesso direto a integrantes da cúpula da Polícia Militar, o que poderia ter sido utilizado para ampliar a influência do grupo e facilitar interlocuções dentro da instituição.
Entre os nomes mencionados nos documentos está o do coronel Pereira Martins, que ocupou a Diretoria de Ensino da PM durante parte do período investigado. Os autos apontam registros de contatos diretos entre o oficial e um dos empresários investigados. Também aparece nos documentos o coronel José Augusto Coutinho, ex-comandante-geral da Polícia Militar de São Paulo e ex-comandante da Rota.
Outro oficial citado é um coronel identificado como “Patrício”, cujo nome aparece em planilhas financeiras apreendidas durante as investigações. Um dos documentos analisados registra um pagamento de R$ 1 mil atribuído ao oficial em dezembro de 2019. As autoridades ainda apuram o contexto desse lançamento e se o valor foi efetivamente repassado.
Segundo o Gaeco, as planilhas apontam para um sistema informal de movimentação de recursos conhecido como “ticketagem”, que teria sido utilizado para abastecer o caixa do grupo investigado e financiar pagamentos considerados estratégicos. A suspeita é de que os recursos fossem empregados para obtenção de vantagens e fortalecimento de relações institucionais.
Os investigadores avaliam que os contatos registrados e as movimentações financeiras podem indicar a existência de um canal estruturado de influência junto a setores da Polícia Militar. A hipótese ainda está em fase de apuração e busca esclarecer se houve favorecimento indevido, utilização de intermediários ou qualquer tipo de benefício institucional.
Até o momento, os policiais militares mencionados nos documentos não foram denunciados nem figuram como alvos da operação desta terça-feira. As autoridades ressaltam que os nomes aparecem nas provas reunidas durante a investigação, que segue em andamento para apurar a extensão da atuação do grupo e identificar possíveis responsabilidades.




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