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Isenção do IR para salários de até R$ 5 mil já aparece no contracheque e beneficia milhões de trabalhadores

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 dias
  • 3 min de leitura

Os impactos da nova tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) começaram a ser sentidos nesta semana por trabalhadores que recebem até R$ 5 mil brutos por mês. Com a mudança, essa faixa de renda passa a ter isenção total do imposto, enquanto quem ganha até R$ 7.350 mensais conta com redução gradual do valor retido na fonte.


As novas regras valem para salários pagos a partir de janeiro de 2026, com reflexo direto nos contracheques de fevereiro. Segundo o Ministério da Fazenda, cerca de 16 milhões de brasileiros devem ser beneficiados.


Entre eles está o pedreiro Genival Gil, de 49 anos, morador do Paranoá, no Distrito Federal. Com carteira assinada há três meses e salário em torno de R$ 2,7 mil, ele aguarda o primeiro contracheque sem o desconto do IR. “Vai ajudar a pagar mais contas da casa”, afirma. O trabalhador vive de aluguel e diz que cada valor a mais faz diferença no orçamento familiar.


A isenção total contempla trabalhadores com carteira assinada, servidores públicos, aposentados e pensionistas do INSS ou de regimes próprios, desde que a renda mensal não ultrapasse R$ 5 mil. A regra também vale para o décimo terceiro salário. Rendimentos acima de R$ 7.350 continuam sujeitos à tabela progressiva do imposto, cuja alíquota máxima é de 27,5%.


O jardineiro Arnaldo Manoel Nunes, de 55 anos, que recebe o piso da categoria, R$ 2.574, avalia a medida como um alívio. “Mal dá para se manter. Esse dinheiro vai ajudar a pagar água e luz, que estão um absurdo”, relata.


Apesar do impacto positivo, muitos trabalhadores ainda desconhecem as mudanças. A atendente de farmácia Renata Correa, que ganha R$ 1.620, ficou surpresa ao saber que não terá mais desconto de imposto de renda. “Vou guardar esse dinheiro para emergências ou para o fim do ano”, conta. Moradora de Santo Antônio do Descoberto (GO), ela promete alertar os colegas de trabalho para que confiram os contracheques.


O conselheiro do Conselho Federal de Contabilidade (CFC), Adriano Marrocos, explica que a aplicação da nova tabela é automática para trabalhadores formais. “Os sistemas de folha de pagamento já fazem os cálculos com o redutor adicional e o desconto simplificado. O empregado só precisa acompanhar se os valores estão corretos”, orienta.


A falta de comunicação interna também chama atenção. A cozinheira Elisabete Silva Ribeiro dos Santos, de 48 anos, só acreditou na isenção depois de ouvir explicações mais detalhadas. “Achei excelente, mas fiquei desconfiada porque ninguém avisou”, afirma. Para o contador, o ideal é que empresas informem os funcionários sobre as mudanças, deixando claro que não se trata de aumento salarial, mas de redução de imposto.


Na última sexta-feira (30), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva destacou a medida nas redes sociais. Segundo ele, a isenção representa justiça tributária e mais dinheiro no bolso das famílias brasileiras.


A renúncia fiscal, estimada em R$ 25,4 bilhões, será compensada com a criação do Imposto de Renda da Pessoa Física Mínimo (IRPFM), voltado à alta renda. A nova cobrança atinge salários elevados, lucros, dividendos e rendimentos financeiros. A previsão é de que cerca de 141 mil contribuintes sejam impactados, com alíquotas que chegam a 10% para quem recebe acima de R$ 50 mil mensais ou R$ 1,2 milhão por ano.


Para o gerente de loja Pedro Henrique Mendonça Marques, de 23 anos, a medida corrige distorções históricas. “Quem ganha menos paga menos, e quem ganha mais contribui mais. Essa é a lógica”, avalia. Com salário de R$ 2,3 mil, ele pretende ajudar mais nas despesas de casa e já pensa em morar sozinho no futuro.


Em relação à declaração do imposto de renda, o Ministério da Fazenda esclarece que as mudanças só terão efeito na declaração de 2027, que considera os rendimentos de 2026. A declaração a ser entregue neste ano segue as regras anteriores. As deduções permanecem as mesmas, como dependentes, educação e desconto simplificado.


Marrocos lembra ainda que a dispensa da entrega da declaração não depende apenas do rendimento tributável. Outros fatores, como rendimentos isentos, aplicações financeiras e bens, também entram no cálculo. Quem possui mais de uma fonte de renda pode ter de complementar o imposto na declaração anual.


A orientação final é simples: conferir atentamente o Informe de Rendimentos fornecido pelas empresas e revisar os dados da declaração pré-preenchida da Receita Federal antes do envio. Segundo o contador, como as informações já são repassadas eletronicamente ao Fisco, a chance de erro é pequena.

Com informações Agência Brasil

Foto Marcelo Camargo



 
 
 

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