Itamaraty reage a ameaças dos EUA e repudia interferência no julgamento de Bolsonaro
- Marcus Modesto
- 10 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O Ministério das Relações Exteriores divulgou nota na noite desta terça-feira (9) condenando declarações do governo dos Estados Unidos que sinalizaram a possibilidade de sanções econômicas ou até mesmo o uso da força em meio ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de outros sete réus acusados de tentativa de golpe de Estado.
Na manifestação oficial, o Itamaraty afirmou que o Brasil repudia qualquer tipo de interferência estrangeira em sua soberania.
“O primeiro passo para proteger a liberdade de expressão é justamente defender a democracia e respeitar a vontade popular expressa nas urnas. É esse o dever dos três Poderes da República, que não se intimidarão por qualquer forma de atentado à nossa soberania”, diz a nota.
Declaração da Casa Branca
Mais cedo, a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmou que a liberdade de expressão é prioridade para o governo norte-americano e citou o julgamento em andamento no Supremo Tribunal Federal.
“Não tenho nenhuma ação adicional [contra o Brasil] para apresentar a vocês hoje. Mas posso dizer que esta é uma prioridade para o governo. E o presidente Donald Trump não tem medo de usar o poderio econômico e militar dos Estados Unidos da América para proteger a liberdade de expressão em todo o mundo”, declarou, segundo a agência Reuters.
Reação no Brasil
Durante agenda em Manaus, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou a postura do ex-presidente e seus aliados.
“Ele sabe que cometeu as burrices que cometeu (…) Esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”, disse Lula.
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, também se manifestou contra as declarações vindas de Washington. Em publicação nas redes sociais, afirmou que chegou ao “cúmulo” a “conspiração da família Bolsonaro contra o Brasil”, citando articulação atribuída ao deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).
“Não bastam as tarifas contra nossas exportações, as sanções ilegais contra ministros do governo, do STF e suas famílias, agora ameaçam invadir o Brasil para livrar Jair Bolsonaro da cadeia. Isso é totalmente inadmissível”, escreveu.
Julgamento no STF
A Primeira Turma do STF retomou nesta terça-feira (9) o julgamento de Bolsonaro e outros sete réus pelo suposto envolvimento em uma trama golpista para anular o resultado das eleições de 2022. Os ministros Alexandre de Moraes, relator do caso, e Flávio Dino já votaram pela condenação.
A sessão foi suspensa e será retomada nesta quarta-feira (10), quando os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin devem apresentar seus votos.




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