Jantar no STF entra no radar do Planalto após derrota de indicado
- Marcus Modesto
- 30 de abr.
- 2 min de leitura
Um encontro realizado na residência do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, na noite de terça-feira (28), passou a ser visto por aliados do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como um possível elemento nos bastidores da rejeição do nome de Jorge Messias à Corte. A votação ocorreu no dia seguinte no Senado, com 42 votos contrários e 34 favoráveis à indicação.
A presença do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, no jantar reforçou, entre interlocutores do governo, a percepção de que poderia ter havido articulação política prévia. A sequência dos fatos provocou irritação no presidente, segundo relatos de bastidores.
Encontro social reúne autoridades
Participantes do evento, no entanto, negam que o jantar tenha tido caráter político. A recepção foi organizada por Moraes em homenagem ao procurador Mário Luiz Sarrubbo, com quem mantém relação desde o Ministério Público de São Paulo.
O encontro reuniu nomes do Judiciário, do governo e do meio jurídico. Estiveram presentes o ministro Cristiano Zanin, o diretor-geral da Polícia Federal Andrei Rodrigues, o ex-ministro Ricardo Lewandowski e o ministro Gilmar Mendes, que havia declarado apoio ao nome de Messias.
Também participou o senador Rodrigo Pacheco. Segundo relatos, o nome do indicado foi citado apenas de forma pontual, sem centralidade nas conversas.
Versões divergentes sobre bastidores
Apesar disso, aliados do governo afirmam que chegaram ao Planalto informações de que Alcolumbre teria sinalizado, durante o encontro, que já contava com votos suficientes para rejeitar a indicação. De acordo com essas versões, o resultado teria sido tratado como praticamente definido.
Outro participante do jantar contesta essa leitura e afirma que o desfecho no Senado já era esperado antes mesmo da reunião. Para ele, a coincidência de datas não indica necessariamente articulação política.
Repercussão no governo
A proximidade entre o jantar e a votação intensificou, dentro do governo, a interpretação de que houve movimento coordenado para barrar a indicação. A avaliação ganhou força diante da margem expressiva da derrota.
O episódio se soma a outros fatores que, na visão de aliados do presidente, indicam dificuldades na articulação política junto ao Senado. Mesmo com versões distintas sobre o encontro, o jantar passou a integrar o conjunto de elementos analisados pelo Planalto na tentativa de compreender os bastidores da votação.




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