JOGO POLÍTICO FLUMINENSE | A ascensão autoritária de Rodrigo Bacellar expõe fragilidade do governo Cláudio Castro
- Marcus Modesto
- 10 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O teatro político do Rio de Janeiro ganhou um novo ato com a demissão sumária de Washington Reis (MDB), ex-secretário de Transportes, durante a ausência do governador Cláudio Castro (PL). A decisão partiu do presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União Brasil), que, interinamente no comando do estado, não hesitou em transformar o Palácio Guanabara em palco de sua própria ambição. A canetada revela mais do que uma simples divergência administrativa: escancara o tamanho da influência de Bacellar dentro do governo e a incapacidade de Castro de controlar os próprios aliados.
A destituição de Reis – que embora inelegível ainda atua nos bastidores com o peso político de quem acredita contar com o apoio de Jair Bolsonaro e da bancada evangélica – foi mais um movimento de um xadrez em que Bacellar tenta eliminar peças que não se alinham ao seu projeto de poder. A justificativa? Nenhuma oficial convincente. Nos bastidores, fala-se em ciúmes políticos, disputas por espaço em 2026 e o velho jogo de quem pode mais, chora menos.
Não é de hoje que Bacellar acumula força desproporcional. Além de comandar a Alerj, onde atua como verdadeiro senhor feudal, o deputado pavimenta sua imagem de possível sucessor ao Palácio Guanabara com atitudes que beiram a arbitrariedade. A recente demissão de Reis reforça uma realidade incômoda: Cláudio Castro parece ser refém do próprio grupo político, governando com autorização tácita de figuras como Bacellar.
Ao expor sua insatisfação, Washington Reis toca num ponto sensível: a dependência do governador de lideranças que, na prática, comandam o Rio à sombra do cargo oficial. A influência de Bacellar não se limita à articulação política. Ele interfere diretamente em secretarias, cargos estratégicos e decisões que deveriam ser prerrogativa do chefe do Executivo.
O que se vê no estado é um governo esfacelado, conduzido por interesses pessoais e projetos eleitorais. Enquanto isso, o povo fluminense continua refém de promessas vazias, obras inacabadas e escândalos recorrentes. A pergunta que se impõe não é mais se Cláudio Castro governa bem, mas se ele de fato governa.
A movimentação de Bacellar deixa claro: o Rio está à mercê de um jogo interno cada vez mais agressivo, onde quem tem a caneta interina dita os rumos do estado – ainda que por trás das cortinas. E, nesse jogo, a democracia perde mais uma vez.




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