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Jornalista denuncia demissão discriminatória na TV Câmara e aciona Justiça

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
27 de ago. de 2025
2 min de leitura

O jornalista Jeldean Alves Silveira, de 35 anos, ingressou com uma ação trabalhista contra a Câmara Municipal de São Paulo e a Fundação Padre Anchieta, responsável pela TV Cultura, alegando ter sido vítima de dispensa discriminatória em maio deste ano. O caso, revelado pelo portal Metrópoles, já está sob investigação do Ministério Público de São Paulo (MPSP).


A ação, protocolada na 72ª Vara do Trabalho de São Paulo, solicita indenização de quase R$ 2 milhões e o reconhecimento de direitos trabalhistas supostamente não pagos, como reajustes previstos em convenções coletivas, horas extras e abonos salariais.


Demissão após pressão política


O desligamento de Alves ocorreu após questionamentos feitos pela vereadora Janaína Paschoal (PP) sobre postagens pessoais do jornalista nas redes sociais. Em suas publicações, ele aparecia de cueca ou sunga, em poses sensuais, mas sem nudez explícita. A decisão pela demissão foi assinada pelo presidente da Câmara, vereador Ricardo Teixeira.


Alves, que se identifica como homossexual, afirmou que usava suas redes desde 2021 para promover diversidade e autoaceitação, atraindo inclusive parcerias comerciais com marcas de moda masculina. Ele classificou a demissão como injusta e desproporcional.


“Eu trabalhava muito na Rede Câmara, acreditava no projeto e tinha orgulho do que fazia. Foram anos de dedicação acima do que era pago. E, no final, fui tratado desta forma. Só espero que a Justiça seja feita e eu volte a trabalhar em paz”, declarou.


Investigação do Ministério Público


O MPSP instaurou inquérito civil para apurar se a demissão configurou discriminação por orientação sexual ou por atuação em redes sociais. O inquérito se soma ao processo trabalhista, podendo ampliar a responsabilidade da Câmara e da Fundação Padre Anchieta.


Carreira e pressão interna


Alves atuava há 12 anos na Fundação Padre Anchieta, sendo editor-chefe da Rede Câmara e responsável por coordenar conteúdos institucionais da emissora legislativa. Segundo relatos, a criação do Conselho Editorial da Rede Câmara, em abril deste ano, aumentou a pressão sobre a linha editorial e contribuiu para um ambiente de desgaste.


Silêncio institucional


Em nota, a Câmara afirmou que ainda não foi intimada sobre a ação e, por isso, não se pronunciará. A Fundação Padre Anchieta também não se manifestou até a última atualização. O caso levanta questões sobre liberdade de expressão, diversidade e pressões políticas dentro de veículos públicos.


 
 
 

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