Jornalista palestino é interrogado sobre Hamas ao desembarcar no Brasil e denuncia tratamento discriminatório
- Marcus Modesto
- 2 de jul.
- 2 min de leitura
ÚO jornalista palestino Anas Hawari, de 28 anos, denunciou ter vivido uma das experiências mais desconfortáveis de sua carreira ao desembarcar no Aeroporto Internacional do Galeão, no Rio de Janeiro, no último dia 23 de junho. Convidado a participar da GlobalFact, a maior conferência internacional sobre checagem de fatos, Hawari afirma ter sido interrogado por agentes brasileiros sobre supostas ligações com o grupo Hamas.
Segundo reportagem da Folha de S. Paulo, o episódio ocorreu logo após sua chegada em um voo procedente de Dubai. Ao apresentar seu passaporte palestino, foi conduzido a uma sala reservada por uma funcionária da imigração, onde permaneceu sob questionamento por vários minutos. “Parecia que eu era um criminoso sendo fichado”, relatou. O jornalista conta que os agentes pediram uma foto sua diante de um fundo branco e fizeram perguntas incisivas sobre sua opinião sobre o conflito entre Israel e Hamas, além de supostas conexões com o grupo.
“Depois de me perguntar várias coisas, ele disse: ‘Agora vamos para a pergunta mais importante: qual é a sua opinião sobre a guerra entre Israel e o Hamas?’”, contou Hawari. Em seguida, as perguntas se voltaram para possíveis vínculos com o grupo militante palestino: “Perguntou se eu tinha atuado com eles ou recebido treinamento militar.”
Hawari vive em Nablus, na Cisjordânia ocupada, com a esposa e o filho, e atua há uma década como jornalista. Atualmente, é editor do portal Tayqan, especializado em verificação de fatos. Sua entrada no Brasil tinha como único objetivo participar da conferência GlobalFact, sediada neste ano no Rio.
Ele afirma que o tratamento recebido foi humilhante e motivado por preconceito. “Eu estava sorrindo, mas de incredulidade. Estava chocado. Eu respondi várias vezes que era só um jornalista e checador, só isso”, declarou. “Até agora, eu não entendo o motivo de me perguntarem todas aquelas coisas e de me tratarem daquele jeito.”
Mesmo tendo aproveitado parte da estadia e participado normalmente do evento, Hawari disse que o impacto da abordagem ofuscou toda a viagem. Um episódio adicional de tentativa de roubo de celular no Rio reforçou sua má impressão. “Disseram que isso é bem comum no Brasil. Acho que as autoridades deveriam focar nisso”, comentou. “Foi uma péssima experiência. Não quero viajar para o Brasil de novo.”
Procurada, a Superintendência da Polícia Federal no Rio informou que o caso será apurado, mas até o momento da publicação da reportagem não apresentou esclarecimentos.
A denúncia levanta preocupações sobre práticas discriminatórias na atuação das autoridades brasileiras e o tratamento dado a cidadãos de países do Oriente Médio, especialmente em tempos de conflito internacional.




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