Lula defende governança global da IA em cúpula internacional na Índia
- Marcus Modesto
- 19 de fev
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou nesta quinta-feira (19) da sessão plenária da 4ª Cúpula de Impacto da Inteligência Artificial, realizada em Nova Delhi, na Índia. Foi a primeira vez que o chefe do Executivo brasileiro discursou no encontro, que reúne líderes mundiais, representantes de organismos multilaterais e executivos das principais empresas de tecnologia.
Em sua fala, Lula destacou o caráter dual da inteligência artificial. Segundo ele, a tecnologia tem potencial para ampliar a produtividade industrial, melhorar serviços públicos, impulsionar a medicina e contribuir para a segurança alimentar e energética. Ao mesmo tempo, alertou para riscos como o uso de armas autônomas, a disseminação de desinformação, discursos de ódio e outras práticas ilícitas no ambiente digital.
O presidente ressaltou que o Brasil já debate instrumentos legais para organizar o setor, mencionando discussões no Congresso sobre a criação de um marco regulatório para inteligência artificial e políticas de atração de investimentos em centros de dados.
Sul Global e multilateralismo
Lula também enfatizou o simbolismo de a cúpula ocorrer em um país do chamado Sul Global, defendendo maior participação das nações em desenvolvimento na formulação das regras sobre novas tecnologias. Para ele, a concentração do poder tecnológico em poucos países pode aprofundar desigualdades globais.
O presidente alertou ainda para o enfraquecimento do multilateralismo, classificando-o como um risco diante dos desafios impostos pela transformação digital acelerada. A cooperação internacional, segundo afirmou, é essencial para garantir que a inteligência artificial seja desenvolvida de forma ética e inclusiva.
A delegação brasileira contou com a presença de ministros como Mauro Vieira (Relações Exteriores), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia) e Esther Dweck (Gestão e Inovação).
Presença de líderes e executivos
A abertura do evento reuniu autoridades como o secretário-geral da Organização das Nações Unidas, António Guterres; o presidente da França, Emmanuel Macron; e o primeiro-ministro indiano, Narendra Modi.
Executivos de grandes empresas também participaram, entre eles Sundar Pichai, da Google e da Alphabet Inc.; Sam Altman, da OpenAI; e Alexandr Wang, ligado a projetos de inteligência artificial da Meta.
Durante os discursos, Guterres defendeu que o futuro da inteligência artificial não fique restrito a um pequeno grupo de países ou bilionários. Macron concentrou sua fala na proteção de crianças no ambiente digital, enquanto Modi ressaltou que a tecnologia precisa de direção clara para se tornar solução e não fator de desordem.
A cúpula reforça o debate global sobre regulação, inovação e responsabilidade no avanço da inteligência artificial — tema que ganha peso crescente nas agendas políticas e econômicas internacionais.




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