Lula endurece discurso contra Flávio Bolsonaro durante ato de campanha em Minas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aumentou o tom dos ataques a Flávio Bolsonaro (PL) durante um ato de campanha em Montes Claros, no Norte de Minas Gerais, nesta quinta-feira (17). Diante de apoiadores, Lula afirmou que não pretende estabelecer uma comparação direta com o senador e disse que prefere colocar seu governo frente a frente com a administração do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A declaração ocorreu durante uma caminhada com aliados e marcou mais um episódio de confronto direto entre os dois principais nomes da disputa presidencial. “Não quero ser comparado com o Flávio, porque ele não é ninguém. Quero ser comparado com o pai, que foi presidente da República”, afirmou Lula.
Na sequência, o presidente voltou a mencionar os acontecimentos posteriores à eleição de 2022 e as investigações relacionadas à tentativa de ruptura institucional. Lula também citou o chamado plano “Punhal Verde e Amarelo”, identificado pela Polícia Federal durante as investigações.
Segundo as investigações, o documento previa ações contra Lula, o vice-presidente Geraldo Alckmin e o ministro Alexandre de Moraes, que presidia o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) naquele período. O material apontava para assassinatos de Lula e Alckmin e previa prisão ou morte de Moraes.
A existência do documento foi identificada pela Polícia Federal. A menção feita por Lula, porém, precisa ser distinguida de uma conclusão específica sobre a participação de Jair Bolsonaro na elaboração desse plano: a existência do documento não significa, por si só, que o ex-presidente tenha participado de sua elaboração ou tivesse conhecimento de seu conteúdo.
Lula também levou para o discurso a discussão sobre a relação de adversários brasileiros com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O petista voltou a defender que governos estrangeiros não interfiram no processo eleitoral brasileiro.
Embate eleitoral em Minas
A passagem de Lula por Montes Claros combinou agenda institucional e atividade de campanha. Antes do ato político, o presidente visitou um complexo industrial farmacêutico instalado na cidade e, posteriormente, participou de uma caminhada com candidatos aliados.
Estiveram ao lado do presidente Patrus Ananias (PT), candidato ao governo de Minas Gerais, além de Marília Campos (PT) e Áurea Carolina (PSOL), que disputam vagas ao Senado.
Durante o evento, Lula também rejeitou a possibilidade de uma composição informal para o Senado que envolvesse Marília Campos e Aécio Neves (PSDB). O presidente pediu aos apoiadores que concentrassem os votos nas candidaturas de seu grupo político.
O confronto entre Lula e Flávio Bolsonaro ocorre em uma campanha marcada por forte polarização. Pesquisas divulgadas em setembro mostram uma disputa apertada entre os dois, embora os números variem conforme o instituto, a data da entrevista e o cenário testado.




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