Lula reage a tarifa de Trump e defende autonomia econômica do Sul Global
- Marcus Modesto
- 11 de jul. de 2025
- 2 min de leitura
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva voltou a adotar um tom firme ao criticar a nova medida econômica dos Estados Unidos, que impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros. Em entrevistas concedidas na noite desta quinta-feira (10) ao Jornal Nacional e ao Jornal da Record, Lula classificou a decisão como um “ataque à soberania” do Brasil e prometeu intensificar a articulação com países do Brics para reduzir a dependência cambial em relação ao dólar.
“Por que eu sou obrigado a ficar lastreado no dólar?”, questionou Lula, destacando que é possível fortalecer o comércio internacional com moedas locais, sem a intermediação do dólar. O presidente reforçou que o bloco formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul — agora ampliado com novas adesões — representa quase 30% do PIB global e cerca de metade da população mundial. “Nós cansamos de ser subordinados ao Norte”, afirmou.
A medida adotada pelo presidente Donald Trump, segundo Lula, foi unilateral e desrespeitosa. “Ele poderia ter nos comunicado, pelo menos com uma carta. Não mandou nada. Publicou em site, como se o Brasil não merecesse consideração. Isso não é comportamento de chefe de Estado”, criticou.
O líder brasileiro também propôs que medidas dessa natureza sejam debatidas em fóruns multilaterais como o G20. “Se ele tivesse alguma divergência, deveria discutir de forma civilizada. É assim que os países devem se comportar”, declarou, rechaçando o estilo confrontador adotado por Trump.
Lula indicou que, ao invés de entrar em confronto direto com o presidente norte-americano, vai priorizar a ampliação de mercados e novas alianças estratégicas para proteger o setor produtivo nacional. “O Brasil está aberto ao mundo, mas não aceitará imposições unilaterais que ferem nossa soberania”, resumiu.
Crise institucional interna: IOF será mantido
Na mesma entrevista, Lula também abordou a crise entre os Poderes envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Após o Congresso derrubar o decreto presidencial que aumentava o imposto, o Supremo Tribunal Federal suspendeu temporariamente tanto o decreto do Executivo quanto a anulação feita pelo Legislativo, e marcou uma audiência de conciliação para o dia 15 de julho.
Lula afirmou que manterá o imposto, e não recuará diante das pressões políticas. “Se tiver um item no IOF que esteja errado, a gente corrige. Mas o IOF vai continuar. E se for preciso cortar R$ 10 bilhões, posso cortar das emendas parlamentares também”, disparou.
Para o presidente, o decreto presidencial foi legítimo e respeita os limites constitucionais. “Fazer decreto é responsabilidade do presidente da República. Se houver erro, que se conteste nos meios adequados. O que não pode é o Congresso agir como se estivesse acima do Executivo”, disse.
Brasil no centro do tabuleiro global
Com tensões em alta tanto no cenário internacional quanto na relação entre os Três Poderes, Lula aposta na diplomacia multilateral como saída para reposicionar o Brasil no tabuleiro geopolítico. O fortalecimento do Brics, a crítica à hegemonia do dólar e a busca por novos mercados formam o eixo da estratégia.
Ao endurecer o tom contra Trump e defender a autonomia dos países do Sul Global, Lula sinaliza que o Brasil quer ser protagonista — e não coadjuvante — nas decisões que moldam a economia internacional.




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