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Maduro mobiliza 4,5 milhões de milicianos e transforma crise em espetáculo de força

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 19 de ago. de 2025
  • 2 min de leitura

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou nesta segunda-feira (18) a mobilização de 4,5 milhões de milicianos em resposta às novas pressões dos Estados Unidos, que dobraram para US$ 50 milhões a recompensa por informações que levem à sua captura. A medida, apresentada como um ato de defesa da soberania, soa mais como um gesto de propaganda do que de segurança real.


Milícia como peça de teatro político


Criada por Hugo Chávez, a Milícia Nacional Bolivariana é hoje um braço da Força Armada Nacional, mas sua real eficácia militar é constantemente questionada. No discurso transmitido pela TV estatal, Maduro exaltou a força popular, prometeu “fuzis e mísseis” para camponeses e operários e insistiu que as milícias estariam prontas para defender cada canto do território.


Na prática, o anúncio funciona mais como um espetáculo midiático, reforçando a narrativa de cerco externo e desviando o foco da crise interna. A Venezuela convive com inflação crônica, êxodo de milhões de cidadãos e colapso dos serviços públicos. Em vez de respostas concretas à população, o governo aposta em manobras simbólicas de poder.


EUA alimentam o jogo


Se de um lado Maduro dramatiza a ameaça externa para consolidar apoio interno, do outro, os Estados Unidos oferecem o enredo perfeito. Ao elevar a recompensa por sua captura e acusá-lo de “um dos maiores narcotraficantes do mundo”, Washington fortalece justamente o discurso chavista de que a Venezuela é vítima de perseguição imperialista.


As sanções e operações militares no Caribe pouco ajudam o povo venezuelano. Pelo contrário, dão munição retórica a um presidente que se sustenta politicamente na lógica de “nós contra eles”.


A soberania sequestrada


Ao convocar milhões de reservistas, Maduro transforma a ideia de soberania em um projeto militarizado, deixando de lado o debate sobre democracia, direitos humanos e desenvolvimento econômico. A promessa de “mísseis para o campo e para a fábrica” soa mais como delírio populista do que como política de defesa.


Enquanto isso, a população continua enfrentando falta de remédios, apagões e pobreza extrema. O governo insiste em mostrar fuzis na televisão, mas não consegue garantir comida nos mercados.


Um círculo vicioso


A ofensiva de Washington e a resposta militarizada de Caracas se retroalimentam. Os EUA tratam Maduro como inimigo público global; Maduro responde se apresentando como mártir do anti-imperialismo. No meio, está a população venezuelana — que não precisa de mais armas, mas de soluções reais para sobreviver.


 
 
 

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