Maioria dos brasileiros é contra anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, aponta pesquisa
Uma pesquisa do instituto PoderData, divulgada nesta sexta-feira (21), revela que 51% dos brasileiros são contra conceder anistia aos presos pelos atos de vandalismo em Brasília no dia 8 de janeiro de 2023. Por outro lado, 37% apoiam a medida, enquanto 12% não souberam responder.
A discussão sobre a anistia ganhou força com um projeto de lei que tramita na Câmara dos Deputados desde o ano passado, mas que permanece parado. A proposta é amplamente defendida por setores da direita, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que tem mobilizado sua base em defesa dos envolvidos.
Os números da pesquisa
O levantamento do PoderData ouviu 2.500 pessoas por telefone, entre os dias 15 e 17 de março, com uma margem de erro de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e 95% de nível de confiança.
Os entrevistados responderam à seguinte pergunta:
“Mais de 1.500 pessoas foram presas por causa do vandalismo em Brasília em 8 de janeiro de 2023. O Supremo condenou a maioria a até 17 anos de prisão. Há um projeto agora no Congresso propondo anistiar e soltar essas pessoas. Você é a favor ou contra a anistia?”
Divisão por preferência eleitoral
A pesquisa também detalhou as respostas com base em como os entrevistados votaram no segundo turno das eleições presidenciais de 2022:
Eleitores de Lula (PT)
• A favor da anistia: 37%
• Contra a anistia: 54%
• Não sabem: 9%
Eleitores de Bolsonaro (PL)
• A favor da anistia: 36%
• Contra a anistia: 49%
• Não sabem: 16%
Eleitores que votaram em branco ou nulo
• A favor da anistia: 43%
• Contra a anistia: 43%
• Não sabem: 14%
Os dados mostram que, mesmo entre os apoiadores de Bolsonaro, a maior parte (49%) rejeita a anistia, contrariando o discurso do ex-presidente.
Mobilização e tensão no STF
No último domingo (16), Bolsonaro realizou um ato em Copacabana, no Rio de Janeiro, para defender a anistia aos presos de 8 de janeiro. A manifestação ocorreu em meio à expectativa pelo julgamento da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), marcado para os dias 25 e 26 de março, que decidirá se aceita ou não a denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR) sobre uma suposta tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022.
Bolsonaro é um dos 34 denunciados por envolvimento em atos contra os Três Poderes e o Estado Democrático de Direito. Até agora, o STF já condenou 476 pessoas por participação nas invasões e vandalismo em Brasília.
A anistia como ponto de tensão política
A proposta de anistia aos envolvidos no 8 de janeiro tem acirrado os ânimos entre governo e oposição. Enquanto a base bolsonarista defende a medida como uma reparação a supostos abusos do Judiciário, críticos argumentam que a concessão da anistia enfraqueceria as instituições democráticas e abriria precedentes para novas tentativas de ruptura institucional.
O resultado da pesquisa indica que, apesar da pressão de setores da direita, a maioria da população se posiciona contra a impunidade dos envolvidos nos ataques de 8 de janeiro, reforçando o apoio às decisões já tomadas pelo STF.
A expectativa agora se volta para o julgamento da Primeira Turma do Supremo e os próximos desdobramentos no Congresso, que enfrentará pressão crescente de ambos os lados do espectro político.




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