Malafaia recua e admite desgaste de Flávio Bolsonaro entre evangélicos após caso Daniel Vorcaro
- Marcus Modesto
- 20 de mai.
- 2 min de leitura
O pastor Silas Malafaia sinalizou nesta terça-feira (20) um distanciamento político em relação ao senador Flávio Bolsonaro ao admitir que as recentes revelações envolvendo o parlamentar e o banqueiro Daniel Vorcaro já provocam desconforto entre lideranças evangélicas e podem comprometer um eventual apoio eleitoral futuro.
A declaração ocorre em meio ao avanço da crise em torno do financiamento do filme “Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro, projeto que passou a ser alvo de questionamentos políticos e jurídicos após a divulgação de informações sobre a origem dos recursos utilizados na produção.
Malafaia, considerado um dos principais aliados religiosos da família Bolsonaro nos últimos anos, adotou um tom mais cauteloso do que o habitual ao comentar o caso. Segundo ele, o apoio do segmento evangélico dependerá diretamente do surgimento — ou não — de novas comprovações envolvendo movimentações financeiras ligadas ao senador.
“Se houver comprovação de que houve mais coisa além do filme, evidentemente isso cria dificuldade. O apoio não é automático”, afirmou o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo.
A fala foi interpretada nos bastidores políticos como um sinal de alerta dentro do próprio campo bolsonarista, principalmente porque parte das lideranças evangélicas passou a acompanhar com preocupação o desgaste crescente em torno do nome de Flávio Bolsonaro.
Visita a banqueiro preso amplia crise
O desconforto aumentou após o senador admitir que visitou Daniel Vorcaro depois da prisão do empresário, ocorrida no fim do ano passado.
Na ocasião, o banqueiro utilizava tornozeleira eletrônica e cumpria restrições determinadas pela Justiça, incluindo proibição de deixar São Paulo.
Além disso, Flávio confirmou que buscou apoio financeiro de Vorcaro para viabilizar o filme “Dark Horse”, cuja estreia está prevista para setembro.
A revelação provocou reações internas no PL e ampliou o clima de cautela entre parlamentares ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Integrantes da legenda avaliam que novas informações sobre o financiamento da produção cinematográfica podem aprofundar ainda mais a crise política.
Filme entra no radar político e judicial
O projeto cinematográfico se transformou no centro da turbulência após reportagens apontarem a existência de aportes milionários ligados a fundos e empresas associadas a aliados da família Bolsonaro no exterior.
A produção já passou a ser questionada por adversários políticos e também por setores jurídicos, que discutem a possibilidade de investigação sobre eventual propaganda eleitoral antecipada e possíveis irregularidades financeiras.
Nos bastidores do Congresso, parlamentares do PL reconhecem que o caso pode atingir diretamente a estratégia eleitoral do partido para 2026, especialmente diante das especulações sobre uma eventual candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
Evangélicos observam cenário com cautela
O segmento evangélico continua sendo uma das principais bases de sustentação política do bolsonarismo no país, sobretudo nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Norte.
Por isso, qualquer sinal de desgaste envolvendo lideranças próximas ao ex-presidente é tratado com preocupação pelo núcleo político da direita conservadora.
Embora Silas Malafaia ainda não tenha rompido politicamente com Flávio Bolsonaro, interlocutores avaliam que a mudança no discurso demonstra que parte das lideranças religiosas já evita oferecer apoio irrestrito antes do avanço das investigações.
Enquanto isso, o caso segue produzindo novos desdobramentos políticos dentro do PL e aumentando a tensão no entorno da família Bolsonaro às vésperas da disputa presidencial de 2026.




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