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Mangue aterrado em Paraty: quando o estacionamento vale mais que o patrimônio ambiental

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • há 2 dias
  • 2 min de leitura

A imagem que circula nas redes sociais e a reportagem compartilhada escancaram uma contradição grave — e perigosa — em Paraty, cidade reconhecida internacionalmente por seu patrimônio histórico e ambiental. Em pleno centro histórico, uma área de manguezal foi aterrada para servir como estacionamento, numa prática que, à primeira vista, afronta a legislação ambiental brasileira e o discurso oficial de preservação que sustenta o turismo local.


Manguezais não são terrenos “ociosos”. São áreas de preservação permanente, protegidas por lei, fundamentais para o equilíbrio ecológico, a proteção da costa, a reprodução da vida marinha e a mitigação de impactos climáticos. Aterrar um mangue para acomodar veículos não é solução urbana: é retrocesso ambiental.


O mais alarmante não é apenas a existência do estacionamento, mas a naturalização do problema. Carros enfileirados sobre um ecossistema sensível revelam uma lógica perversa, na qual a conveniência imediata se sobrepõe ao interesse coletivo, à ciência e à legislação. A cidade que se vende ao mundo como símbolo de harmonia entre cultura e natureza parece fechar os olhos quando a pressão turística exige mais vagas — custe o que custar.


Onde estão os órgãos de fiscalização? Onde está o Ministério Público, frequentemente acionado para situações muito menos evidentes? Houve licenciamento ambiental? Estudo de impacto? Autorização de algum órgão competente? Ou mais uma vez estamos diante de uma intervenção consolidada pela omissão do poder público?


A questão vai além de Paraty. Ela expõe um padrão recorrente no Brasil: áreas protegidas são relativizadas quando o interesse econômico bate à porta. Primeiro vem o “provisório”, depois a normalização e, por fim, o esquecimento. Enquanto isso, o mangue some — silenciosamente — debaixo da terra e do asfalto improvisado.


Preservar não é slogan, nem peça publicitária para turista ver. Preservar exige escolhas difíceis, fiscalização ativa e, sobretudo, respeito à lei. Transformar manguezal em estacionamento é escolher o caminho mais fácil — e o mais irresponsável.

Fotos Redes sociais



 
 
 

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