Manifestação na orla de Copacabana expõe radicalização institucional do PL e afronta ao Estado Democrático
- Marcus Modesto
- 3 de ago. de 2025
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A manifestação realizada neste domingo (3) na orla de Copacabana, no Rio de Janeiro, reuniu não apenas apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro, mas escancarou o alinhamento explícito do Partido Liberal (PL) com pautas que confrontam abertamente o Estado Democrático de Direito. O evento, marcado por cartazes contra o Supremo Tribunal Federal (STF), imagens de Donald Trump e bandeiras de Israel — símbolos que já extrapolam o contexto político brasileiro — foi palco de uma verdadeira celebração da desinformação, da intolerância institucional e do revisionismo golpista.
Parlamentares do PL em diversas esferas de poder participaram ativamente do ato, que teve como principais bandeiras a anistia para os envolvidos nos atos de 8 de janeiro — uma tentativa violenta de ruptura democrática — e o pedido de impeachment do ministro Alexandre de Moraes, cuja atuação no STF tem sido fundamental para conter os avanços autoritários do bolsonarismo.
Ao invés de assumirem o papel de legisladores comprometidos com a Constituição, deputados e senadores do PL — como Eduardo Pazuello, Sóstenes Cavalcante, Altineu Côrtes e Carlos Portinho — engrossaram o coro antidemocrático que busca reverter, na base do grito e da pressão popular organizada, decisões do Judiciário que buscam responsabilizar os envolvidos nos ataques à democracia. A presença maciça de parlamentares da Alerj e da Câmara Municipal do Rio confirma que não se trata de uma manifestação espontânea, mas de uma estratégia institucionalizada de confrontação e desestabilização.
A tentativa de transformar criminosos condenados por participação em atos violentos contra os Três Poderes em “perseguidos políticos” é sintomática de um projeto de poder que não admite limites legais nem institucionais. O uso recorrente de bandeiras estrangeiras e a idolatria a líderes internacionais com histórico de discursos extremistas, como Donald Trump, apenas reforçam o distanciamento desse grupo em relação à realidade brasileira.
Enquanto o país enfrenta desafios graves como fome, desemprego, crise climática e desigualdade social, representantes eleitos se dedicam a fomentar fantasmas golpistas e a defender anistia para aqueles que atentaram contra as instituições. O que se viu em Copacabana foi menos um protesto e mais uma exibição de força de um grupo político que, mesmo fora do Planalto, se recusa a aceitar as regras do jogo democrático.
É urgente que os Poderes da República — especialmente o Congresso Nacional — assumam a responsabilidade de conter a escalada autoritária e investiguem o financiamento, a organização e os objetivos dessas manifestações. O Brasil já pagou caro demais por flertar com o autoritarismo. A democracia não pode ser refém de quem a ameaça em praça pública com microfones e mandatos parlamentares.
Se há algo que precisa ser anistiado, certamente não é o crime contra a democracia. É a nossa tolerância com quem insiste em testá-la.




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