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Manobra em comissão da Câmara escancara racha e expõe desgaste do governo Lula com o centrão

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 25 de jun. de 2025
  • 2 min de leitura

A escolha do deputado bolsonarista Coronel Chrisóstomo (PL-RO) como relator do projeto que visa anular o decreto do presidente Lula sobre o IOF provocou um terremoto político no Congresso e escancarou a fragilidade da articulação do governo federal dentro da Câmara dos Deputados. A decisão partiu do presidente da Comissão de Finanças e Tributação, Hugo Motta (Republicanos-PB), e foi interpretada como uma clara sinalização de insatisfação do centrão — e de parte da oposição — com a condução econômica do Palácio do Planalto.


Mais do que uma escolha técnica, o movimento foi político. Motta, que pertence a um partido da base, mas há meses atua de forma independente, atendeu a pressões crescentes de deputados que reclamam da lentidão na liberação de emendas e da dificuldade de interlocução com a equipe de Lula. A relatoria entregue a Chrisóstomo, um nome notoriamente alinhado ao bolsonarismo e crítico feroz da atual gestão, foi vista por aliados do governo como uma provocação deliberada.


O próprio líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), não economizou críticas: “Pautar essa matéria já é grave, mas entregar a relatoria a um deputado que trata o governo como inimigo político é, no mínimo, irresponsável”, disparou. A avaliação dentro da base é que a manobra revela não só a perda de controle sobre comissões estratégicas, mas também a erosão da base parlamentar construída a duras penas desde o início do terceiro mandato de Lula.


Do lado da oposição, o gesto foi celebrado como vitória. O líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), foi direto: “O governo tentou atrasar, mas a pressão venceu. O relator representa a voz de quem quer um país menos sufocado por impostos.”


O pano de fundo é mais amplo: o projeto em questão trata de um ajuste no IOF, imposto historicamente impopular por recair sobre operações financeiras cotidianas da população. O governo tentava corrigir um decreto anterior que elevava alíquotas, mas tropeçou na comunicação e entregou munição à oposição, que agora tenta não só reverter a medida, mas desgastar politicamente o Planalto.


No fundo, a crise expõe uma realidade incômoda para o governo: Lula pode ter maioria nominal no Congresso, mas está cada vez mais refém de aliados volúveis e de um centrão que cobra alto por cada voto. A nomeação de Chrisóstomo é só um sinal do que está por vir. E se o Planalto não reagir com articulação mais firme, a rebelião silenciosa pode virar uma tempestade.



 
 
 

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