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Marcos Pereira, o bife de ouro e a metáfora perfeita da política brasileira

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 8 de jul.
  • 3 min de leitura

Enquanto o brasileiro médio luta para encher o prato com arroz, feijão e carne moída — quando consegue —, o presidente nacional dos Republicanos, Marcos Pereira, saboreia um bife folheado a ouro, servido com pompa pelo próprio Salt Bae, em um dos restaurantes mais caros de Nova York. A cena, registrada em vídeo inédito revelado pela série Cartas Marcadas, dispensa narração: o espetáculo fala por si.


Na mesa, entre risos e celulares apontados para o momento performático, está também Gilvan Máximo, deputado federal do Distrito Federal — igualmente do Republicanos. O prato em questão, uma peça de carne banhada em ouro 24 quilates, pode custar até R$ 9 mil, valor que representa mais de sete salários mínimos. O registro foi feito em maio de 2025, durante a passagem de políticos e empresários brasileiros pelos eventos promovidos pelo Lide Brasil e a Esfera Brasil, fóruns que se vendem como espaços de “diálogo entre o público e o privado”.


A justificativa de Marcos Pereira veio em nota: segundo ele, o jantar foi pago com recursos próprios, sem reembolso da Câmara ou do partido. Disse ainda não ver contradição entre o momento e seu discurso de austeridade fiscal, alegando que críticas como essa fazem parte da “narrativa do ‘nós contra eles’”, a qual afirma rejeitar.


Mas é justamente aí que reside o problema.


Marcos Pereira não é um político qualquer. Presidente de um dos partidos que compõem a base do governo Lula no Congresso, ele é peça central no xadrez do poder. E enquanto vende a imagem de gestor sério, alinhado à ética cristã e à responsabilidade fiscal, se banqueteia com símbolos de ostentação e privilégio — em plena Nova York, diante de um chef internacional cuja fama foi construída em cima do exagero, do luxo e da caricatura da riqueza.


A imagem do “bife de ouro” sintetiza, como poucas vezes se viu, a desconexão da elite política com o Brasil real. Um país em que 33 milhões de pessoas passam fome, e onde o acesso à proteína animal já se tornou luxo para milhões de famílias. A escolha do prato — não pela carne, mas pelo que representa — é mais do que um deslize de imagem: é um retrato fiel da insensibilidade política travestida de sucesso pessoal.


Mais do que saber quem pagou a conta, o que se discute é o que esse tipo de comportamento revela: uma elite política que se alimenta de privilégios e posa de técnica, enquanto o povo aperta o cinto. Um “republicanismo” que fala em meritocracia, mas ostenta como poucos.


Gilvan Máximo, por sua vez, permaneceu em silêncio. Assim como o deputado Hugo Motta, também presente nos eventos da mesma semana. Até o fechamento desta edição, os dois não responderam aos contatos feitos pela equipe do Intercept. Se responderem, suas falas serão publicadas na próxima edição de Cartas Marcadas.


No fim, o ouro que recobria o bife de Marcos Pereira é o mesmo que cobre a superfície do sistema: reluzente, mas superficial. Serve mais para o brilho da vitrine do que para sustentar qualquer valor verdadeiro. E, como tudo que brilha demais, uma hora vira alvo da própria luz.


Se quiser, posso adaptar este texto para versões resumidas (para redes sociais, por exemplo) ou fazer um carrossel explicativo com os principais pontos. Deseja isso?


Com informações do Intercept


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