Memorial Zumbi celebra 35 anos como símbolo de resistência e cultura afro em Volta Redonda
- Marcus Modesto
- 29 de mai.
- 2 min de leitura
Volta Redonda – Mais do que um espaço cultural, o Memorial Zumbi se tornou, ao longo de 35 anos, um verdadeiro símbolo de resistência, memória e valorização da cultura afro-brasileira em Volta Redonda. Neste domingo (1º de junho), a partir das 10h, o equipamento comemora sua história com uma programação especial, gratuita e aberta à população.
Localizado na Vila Santa Cecília e administrado pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC), o Memorial Zumbi não é apenas um ponto de encontro, mas também de construção de narrativas que há décadas ajudam a manter viva a identidade e as tradições afrodescendentes no município — algo ainda necessário em um país onde o racismo estrutural insiste em se manifestar.
A comemoração dos 35 anos será marcada por uma programação que une música, história e celebração. Entre as atrações estão o Coral Municipal, o grupo de samba Sorriso Aberto e a discotecagem que promete embalar o público com grandes sucessos do Charme. O grande destaque do dia é a cantora Lorena Costa, que retorna ao palco do Memorial com o show “Raízes da Canção”, agora no formato de roda de samba.
O repertório presta homenagem a grandes vozes femininas da música brasileira, como Clementina de Jesus, Alcione, Jovelina Pérola Negra, Dona Ivone Lara, Beth Carvalho e Elza Soares. Clássicos como “Não deixe o samba morrer”, “Marinheiro só” e “Água de chuva no mar” prometem emocionar o público.
“A gente quer comemorar a resistência, a persistência e saudar a nossa ancestralidade. O Memorial é um espaço único, de acolhimento, respeito e construção de novas narrativas. E seguimos resistindo, ocupando esse lugar central na cidade, mantendo viva a nossa história”, ressalta Renata Ferreira, coordenadora do Memorial Zumbi.
O evento conta com apoio do Governo do Estado, Ministério da Cultura, Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa e recursos da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), reforçando a importância de políticas públicas contínuas para a cultura, especialmente depois dos impactos gerados pela pandemia.
O secretário municipal de Cultura, Anderson de Souza, também destaca o papel social do Memorial: “É uma honra comemorar mais um ano desse espaço tão importante para nossa cidade. Aqui, celebramos não só a cultura afro-brasileira, mas também a luta por respeito, igualdade e diversidade.”
Reflexão necessária
Apesar das celebrações, o aniversário do Memorial também serve de reflexão. Afinal, manter um espaço como esse ativo, por 35 anos, é fruto de muita resistência frente às dificuldades — seja pela escassez de investimentos culturais, seja pelo descaso histórico que espaços de valorização da cultura negra costumam enfrentar.
O Memorial Zumbi é, sim, uma conquista de Volta Redonda, mas precisa ser reconhecido, ampliado e fortalecido — não apenas na data de aniversário, mas em todos os dias do ano. Que a festa deste domingo inspire mais políticas públicas, mais apoio da sociedade e, principalmente, mais consciência sobre o papel fundamental da cultura afro-brasileira na construção da nossa cidade e do nosso país.
Foto Secom PMVR




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