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Mensagens entre Antonio Rueda e Daniel Vorcaro levantam suspeitas sobre negociação envolvendo o BRB

Foto do escritor: Marcus Modesto
Marcus Modesto
há 1 hora
2 min de leitura

Uma negociação envolvendo o Banco de Brasília (BRB), o Banco Master e a venda de participação em uma financeira ganhou novos contornos após a Polícia Federal recuperar conversas que apontam para a participação direta de Antonio Rueda, presidente nacional do União Brasil, nas tratativas com Daniel Vorcaro, então controlador do Master.


De acordo com informações publicadas pela coluna de Malu Gaspar, do jornal O Globo, mensagens extraídas do telefone celular de Vorcaro mostram que Rueda encaminhou ao empresário um trecho de uma minuta do acordo de acionistas apenas quatro dias antes de o BRB anunciar a parceria para a venda de 49% de sua financeira.


O conteúdo das conversas indica que Vorcaro não se limitou a acompanhar a negociação. Durante a troca de mensagens, ele teria sugerido alterações nas regras de governança do documento, especialmente nos dispositivos que estabeleciam quem teria autoridade para aprovar operações financeiras e concessões de crédito.

Outro ponto que chama a atenção dos investigadores é a relação entre os envolvidos e os interesses empresariais relacionados ao negócio. A operação beneficiaria um consórcio que tinha entre seus investidores o empresário José Ricardo Lemos Rezek, apontado como amigo de Rueda.


Os registros também indicam que Rueda e Vorcaro se encontraram pelo menos duas vezes no Lago Sul, em Brasília, enquanto as negociações estavam em andamento. Naquele período, Rueda ainda não havia assumido mandato parlamentar, embora tenha sido eleito deputado federal pelo Rio de Janeiro nas eleições de outubro.


A negociação ocorreu durante a administração de Paulo Henrique Costa à frente do BRB. O ex-presidente da instituição foi indiciado pela Polícia Federal em 28 de outubro, no âmbito das investigações que apuram suspeitas de irregularidades e possíveis fraudes na venda de carteiras de crédito do Banco Master ao banco público do Distrito Federal.


A divulgação das mensagens acrescenta um novo elemento a um caso que envolve interesses financeiros, articulações empresariais e relações no meio político. A participação de dirigentes partidários nas tratativas, especialmente diante das alterações sugeridas em um documento que estabelecia poderes sobre operações de crédito, amplia os questionamentos sobre a condução da negociação.


As conversas, por si só, não comprovam a prática de crimes pelos interlocutores. Entretanto, seu conteúdo deverá ser considerado no conjunto das investigações, que buscam esclarecer como o negócio foi estruturado, quem participou das decisões e quais interesses estavam envolvidos na operação.

Foto Reprodução


 
 
 

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