top of page
Buscar

Mercosul e União Europeia selam acordo histórico após 26 anos de impasses

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 17 de jan.
  • 3 min de leitura

Depois de mais de duas décadas de negociações, Mercosul e União Europeia oficializaram neste sábado (17), em Assunção, no Paraguai, um acordo de livre comércio considerado um dos mais relevantes do cenário internacional recente. A assinatura ocorre em um momento de tensões geopolíticas, disputas tarifárias e avanço do protecionismo, e foi marcada por discursos em defesa do multilateralismo e do comércio baseado em regras.


As tratativas começaram em 1999 e, com a formalização do texto, o tratado segue agora para análise e ratificação nos parlamentos dos países envolvidos e no Parlamento Europeu. Caso seja aprovado, o acordo poderá dar origem à maior área de livre comércio do planeta, reunindo cerca de 700 milhões de consumidores e quase um quinto do Produto Interno Bruto global.


Durante a cerimônia, o presidente do Conselho Europeu, António Costa, afirmou que o acordo reafirma valores compartilhados entre os dois blocos. Para ele, o entendimento não busca estabelecer zonas de influência, mas sim promover prosperidade conjunta, respeitando soberania nacional, direitos sociais e compromissos ambientais. Costa destacou que a assinatura envia um sinal claro de apoio ao direito internacional e ao comércio justo.


A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, ressaltou o caráter político da decisão. Segundo ela, o tratado representa a escolha por cooperação e integração econômica em vez de isolamento. A dirigente afirmou ainda que o acordo abre novas oportunidades para empresas e trabalhadores europeus e sul-americanos.


Anfitrião do evento, o presidente do Paraguai, Santiago Peña, classificou a data como um marco histórico e destacou o esforço diplomático necessário para superar 26 anos de entraves. Ele fez menção especial ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva, ausente da cerimônia, atribuindo a ele papel decisivo para a conclusão das negociações.


O presidente da Argentina, Javier Milei, avaliou o acordo como um ponto de partida para ampliar o comércio e fortalecer a integração regional. Ele alertou, porém, que a eficácia do tratado dependerá da sua implementação sem excessos regulatórios. Segundo Milei, mecanismos como cotas e salvaguardas podem reduzir o impacto econômico esperado.


Já o presidente do Uruguai, Yamandú Orsi, definiu o entendimento como uma associação estratégica em um cenário global instável. Para ele, regras claras e integração comercial são fundamentais para o desenvolvimento econômico e também para enfrentar desafios transnacionais, como o crime organizado.


Representando o Brasil, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que o acordo tem peso geopolítico e simboliza a força do mundo democrático. De acordo com o chanceler, o tratado pode estimular investimentos, gerar empregos, incentivar inovação tecnológica e promover crescimento econômico com inclusão social.


A cerimônia foi realizada em um teatro histórico de Assunção, cercado por jardins projetados por Roberto Burle Marx, e simbolizou o reposicionamento do Paraguai no centro do processo de integração regional iniciado com o Tratado de Assunção, em 1991, que deu origem ao Mercosul.


No campo econômico, o acordo prevê a redução de tarifas em mais de 90% do comércio bilateral. A União Europeia tende a ampliar exportações de automóveis,

máquinas, tecnologia e medicamentos, enquanto os países do Mercosul ganham maior acesso ao mercado europeu para produtos agropecuários, como carne e soja.


Apesar do avanço, o tratado enfrenta resistências, especialmente entre agricultores europeus, que temem a concorrência de produtos sul-americanos. Para reduzir críticas, a Comissão Europeia incluiu cláusulas de proteção para setores sensíveis, como carne bovina e arroz. Ainda assim, a aprovação no Parlamento Europeu permanece incerta, com oposição expressiva liderada pela França.


Analistas de comércio exterior avaliam que a conclusão do acordo pode ajudar a recompor a coesão política do Mercosul, afetada por divergências internas sobre integração e acordos bilaterais. A assinatura também ganha relevância em um contexto de disputas comerciais globais e medidas tarifárias adotadas por grandes potências.


Com o texto finalmente assinado, o desafio passa a ser a ratificação legislativa e a implementação gradual do acordo nos próximos anos, etapa crucial para que o entendimento saia do plano político e produza efeitos econômicos concretos.




 
 
 

Comentários


bottom of page