Moção ou promoção? A política de palanque travestida de homenagem em Barra Mansa
- Marcus Modesto
- 4 de abr.
- 2 min de leitura
O que deveria ser um ato institucional da Câmara de Vereadores de Barra Mansa acabou se transformando em mais um episódio emblemático da confusão entre o público e o eleitoral. A entrega de uma moção de congratulação à advogada Jane Reis, realizada no simbólico dia 1º de abril, levanta questionamentos inevitáveis: trata-se de reconhecimento legítimo ou de antecipação de campanha?
Não é de hoje que homenagens concedidas por casas legislativas vêm sendo utilizadas como vitrines políticas. No caso em questão, chama atenção o fato de a agraciada ser pré-candidata a vice-governadora em uma chapa liderada por Eduardo Paes, o que, por si só, já coloca o evento em uma zona cinzenta entre o institucional e o eleitoral.
A presença de figuras políticas de diferentes municípios e, principalmente, do deputado estadual Rosenverg Reis — irmão da homenageada — reforça o caráter político do encontro. Soma-se a isso o peso do sobrenome Reis, historicamente influente na Baixada Fluminense, com ligações diretas ao ex-prefeito de Duque de Caxias, Washington Reis. Fica a pergunta: a moção celebra méritos individuais ou fortalece um grupo político já consolidado?
O discurso afinado entre os presentes também não disfarça o tom de pré-campanha. Promessas amplas, acenos a todos os 92 municípios do estado e elogios mútuos compõem um roteiro já conhecido do eleitor fluminense. Enquanto isso, problemas concretos das cidades — inclusive de Barra Mansa — seguem aguardando soluções mais objetivas do que palavras bem ensaiadas.
O papel do presidente da Câmara, vereador Paulo Sandro, como autor da homenagem, também merece reflexão. Ao abrir espaço institucional para uma figura em plena articulação eleitoral, a Casa Legislativa corre o risco de comprometer sua imparcialidade e sua função primordial de fiscalização e produção legislativa.
Não se trata de questionar a trajetória pessoal ou profissional de Jane Reis, mas sim o uso de instrumentos públicos para promoção política antecipada. Em tempos em que a população cobra mais transparência e responsabilidade dos seus representantes, transformar homenagens em palanques é um desserviço à democracia.
Barra Mansa precisa de debates sérios, propostas concretas e respeito ao espaço institucional — não de eventos que mais parecem ensaios de campanha financiados pelo prestígio do poder público.
Foto Divulgação




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