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Moraes repreende defesa de Filipe Martins durante audiência da trama golpista

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 14 de jul.
  • 2 min de leitura

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), protagonizou mais um momento tenso no inquérito que apura a suposta tentativa de golpe de Estado articulada por aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro. Durante audiência nesta segunda-feira (14), o magistrado repreendeu duramente o advogado Jeffrey Chiquini, que defende Filipe Martins, ex-assessor de Assuntos Internacionais da Presidência.


A sessão ouviu o tenente-coronel Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Bolsonaro e uma das peças-chave nas investigações. No início da oitiva, Chiquini solicitou a suspensão do depoimento, alegando que não teve tempo hábil para analisar documentos recentemente anexados pela Polícia Federal ao processo. Moraes rejeitou o pedido e, ao ser novamente interpelado, interrompeu o advogado com uma advertência direta: “Enquanto eu falo, o senhor fica quieto.”


A tensão aumentou quando Chiquini questionou a estrutura da denúncia oferecida pela Procuradoria-Geral da República (PGR), que dividiu os acusados em quatro núcleos distintos. Moraes reagiu com ironia: “Se quiser discutir isso, faça concurso público. Não é o senhor que vai dizer se seu cliente deve ser denunciado no núcleo 1, 2 ou 3.”


Depoimento reforça envolvimento de Bolsonaro


No conteúdo do depoimento, Mauro Cid voltou a implicar diretamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo o militar, Bolsonaro não apenas teve acesso à chamada “minuta golpista” — que previa, entre outros pontos, a prisão do ministro Alexandre de Moraes e a convocação de novas eleições — como também teria sugerido alterações no texto. O episódio teria ocorrido em 2022, pouco antes do segundo turno da eleição presidencial.


A fala de Cid reforça o entendimento da PGR de que Bolsonaro foi figura central na elaboração de um plano para impedir a transição democrática após sua derrota nas urnas. As investigações da Polícia Federal apontam para a existência de uma articulação com múltiplas frentes — jurídica, militar, digital e institucional — voltadas à ruptura da ordem constitucional.


Clima de embate e incerteza jurídica


As falas de Moraes durante a audiência ecoam o tom firme adotado pelo ministro ao longo das investigações envolvendo a tentativa de golpe e os atos antidemocráticos de 8 de janeiro de 2023. Ele tem sido alvo constante de críticas por parte de apoiadores do ex-presidente, que acusam o magistrado de condução autoritária dos processos. Moraes, por sua vez, tem reiterado que sua atuação se dá dentro dos limites constitucionais e com base em provas robustas coletadas pelas autoridades.


O processo contra Filipe Martins é parte de uma investigação mais ampla que já levou à prisão militares da ativa e da reserva, ex-ministros e ex-assessores próximos de Bolsonaro. A expectativa é de que novas fases da operação sejam deflagradas ainda este semestre, com possíveis novas denúncias e eventuais pedidos de prisão preventiva.

Fonte Agência Brasil


Foto Walter Campanato

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