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Muito anúncio, muitos eventos — mas o campo de Barra Mansa avança para quem?

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 9 de jan.
  • 2 min de leitura

O balanço apresentado pela Secretaria de Desenvolvimento Rural de Barra Mansa sobre as ações de 2025 é farto em números, eventos e anúncios. Recuperação de estradas, vacinação de rebanhos, inseminação artificial, feiras agropecuárias e torneios leiteiros compõem um cardápio que, à primeira vista, sugere avanço consistente no setor rural. Mas a pergunta central permanece: quem, de fato, está colhendo os frutos dessas políticas?


A revitalização de mais de 380 quilômetros de estradas vicinais é, sem dúvida, um dado relevante. Ainda assim, falta informação básica para medir o impacto real dessa ação. Qual é a extensão total da malha rural do município? Quantas comunidades seguem enfrentando dificuldades de acesso em períodos de chuva? Sem esses parâmetros, o número impressiona, mas não esclarece. Infraestrutura rural exige manutenção permanente, não apenas intervenções que rendem boas estatísticas em relatórios oficiais.


O mesmo raciocínio se aplica às ações de sanidade animal e melhoramento genético. A vacinação de mais de duas mil bezerras contra a brucelose e o uso de biotecnologias reprodutivas indicam modernização. No entanto, não há clareza sobre os critérios de acesso a esses serviços. Pequenos produtores, que muitas vezes enfrentam limitações financeiras e técnicas, conseguem participar em igualdade de condições ou essas iniciativas acabam concentradas em propriedades mais estruturadas?


No campo da fiscalização e da inspeção sanitária, o fortalecimento do Serviço de Inspeção Municipal representa avanço institucional. Porém, formalizar a produção sem oferecer suporte técnico e financeiro pode transformar uma política pública em obstáculo. A saída da informalidade precisa ser acompanhada de orientação contínua e condições reais de adequação, sob pena de excluir exatamente quem mais precisa do apoio do poder público.


Os grandes eventos agropecuários, como a Expo Girolando, as jornadas técnicas e os torneios leiteiros, projetam Barra Mansa no cenário nacional e movimentam cifras expressivas. Ainda assim, é legítimo questionar o alcance social desses encontros. Eles fortalecem toda a cadeia produtiva local ou beneficiam, majoritariamente, criadores de maior poder econômico? A visibilidade é importante, mas não substitui políticas de base.


As ações sociais e culturais desenvolvidas nas comunidades rurais cumprem um papel simbólico relevante, mas não resolvem o principal desafio do campo: garantir renda, sucessão rural e condições dignas para que o produtor permaneça na atividade. O mesmo vale para as promessas e projeções para 2026, que soam positivas, mas carecem de metas claras, critérios públicos e acompanhamento efetivo.


O campo de Barra Mansa precisa avançar, mas avançar para todos. Enquanto os anúncios seguem crescendo, cabe ao poder público responder, com dados transparentes e políticas inclusivas, se os investimentos estão chegando a quem realmente sustenta a produção rural no dia a dia — longe dos palcos, das vitrines e dos discursos oficiais.

Foto Divulgação


 
 
 

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