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Natal de mais de R$ 5 milhões, salários atrasados e serviços sucateados: TCE precisa agir e Caneda deve explicações

  • Foto do escritor: Marcus Modesto
    Marcus Modesto
  • 5 de jan.
  • 2 min de leitura

A Prefeitura de Barra Mansa insiste em promover o “Encanto do Natal” de 2025 como um feito histórico. Árvores gigantes, luzes espalhadas pela cidade, pontes decoradas e cenários cenográficos renderam belas imagens. O que fica fora do discurso oficial, porém, é o dado que mais pesa para o contribuinte: o evento custou mais de R$ 5 milhões em recursos públicos e a decoração começa a ser retirada amanhã, terça-feira, dia 6.


O gasto milionário contrasta de forma chocante com a realidade enfrentada pela população. Funcionários públicos e aposentados convivem com atraso no pagamento, a rede municipal de saúde opera em situação crítica, com falta de atendimento, exames represados e unidades sucateadas, enquanto o transporte público permanece caro, ineficiente e com frota precária, penalizando diariamente trabalhadores e estudantes.


Mesmo diante desse cenário, a Fundação Cultura, presidida por Alexandre Caneda, não apresentou até agora qualquer prestação de contas detalhada sobre o Natal milionário. Não há informações claras sobre contratos, empresas contratadas, valores individualizados, critérios técnicos ou processos licitatórios. Para um gasto superior a R$ 5 milhões, o silêncio é grave.


Classificar o evento como “Natal histórico” sem abrir as contas transforma a administração pública em propaganda institucional. A população tem o direito de saber quanto foi gasto com a árvore de 25 metros, a iluminação da Avenida Roosevelt Brasil, as intervenções nas pontes, a montagem e desmontagem das estruturas, a segurança e a manutenção.


A curta duração do evento reforça a sensação de inversão de prioridades. Em poucas semanas, todo o investimento será desmontado, enquanto permanecem problemas estruturais antigos e urgentes, como salários atrasados, aposentadorias em risco, saúde em colapso e transporte público sucateado.


Diante da gravidade dos fatos, o Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro (TCE-RJ) precisa, com urgência, instaurar uma fiscalização rigorosa na Prefeitura de Barra Mansa, especialmente nos contratos ligados à Fundação Cultura e aos gastos com o Natal de 2025. O controle externo não pode se omitir quando há indícios claros de desequilíbrio fiscal e ausência de transparência.


Alexandre Caneda aparece publicamente para celebrar e agradecer, mas precisa assumir o dever legal de prestar contas. O dinheiro gasto não pertence à Prefeitura nem à Fundação Cultura — é do contribuinte.


O Natal iluminou a cidade por alguns dias, mas deixou uma sombra profunda sobre a gestão municipal. Mais de R$ 5 milhões, uma decoração que vai embora amanhã, servidores sem receber, saúde precária, transporte caro e sucateado exigem explicações imediatas e fiscalização do TCE.

Foto Divulgação


 
 
 

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